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cap. 13 – VIVER É A GRANDE MAGIA -JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

VIVER É A GRANDE MAGIA-JOYCE  DAMY MOBLEY

Esperar é uma das coisas mais dinâmicas, desde que se saiba como.

Não estava muito certo do que havia para ser conversado… Encontrava-se – no que podemos chamar de estado mágico! O que é um “estado emocional mágico”? É quando perdemos as nossas certezas, gostaríamos de poder mantê-las, mas nos damos conta de que a quebra das mesmas pode significar que muitas portas internas, também externas, abrem-se… É como atravessar as nossas grades internas… Sim porque é possível romper, atravessar, dar a volta, enfeitar, ignorar, as tantas grades que existem… Não sei se você, que está lendo, sabe disso, porque eu mesma – que estou escrevendo- vivo a esquecer dessa pequena parte da nossa, da minha, realidade interna.


Realidade interna? Coisa mais estranha de ser dita, ou escrita… Está bem, vamos parar por aqui, porque Íbora parece saber bem mais do que eu, que apenas empresto meus dedos depois que ele conversa comigo enquanto durmo… Ele descobriu que quando durmo é mais fácil de ouvi-lo sem tentar interferir no que ele tem a dizer. Espertinho, não é mesmo? Mas ele já explicou da importância dos sonhos… É só você voltar algumas “páginas” e ler sobre isso.

Tentando coordenar os sentimentos e pensamentos, e por sentir que naquele momento mágico o mais fácil, e sábio, seria deixar que as palavras fluíssem, Íbora apenas abriu a boca e permitiu-se:

– Embora eu mesmo tenha várias perguntas, penso – que pelo fato de ser um intruso muito bem recebido – deva, por educação, falar um pouco… Não estou muito certo sobre o quê, mas…

– Fala logo, disse o peixinho cuja mãe teve que segurar para que não se perdesse em meio à confusão.

Íbora sorriu ao reconhecer aquela mesma impaciência que fora tão viva e intensa dentro dele… Fora? Teve que reconhecer que ainda era assim; contudo, sua impaciência já tinha ouvidos, olhos, coração, e sabia esperar por… Por? Por?! Saber esperar, e aprender enquanto esperava, já era o suficiente! Esperar é uma das coisas mais dinâmicas, desde que se saiba como…

– Nasci, até onde sei, no Real Lago Real, do Real Palácio Real. A vida poderia ser, e era para muitos, agradável… Não havia muito que fazer, mas o dia era repleto de afazeres, e aulas, e banquetes, e de tantas coisas, que o tempo poderia passar sem que me desse conta disso.

Mais uma vez o pequeno peixinho, Inkié-tus, era o seu nome, interrompeu:

– Não to entendendo nada. Você não disse que a vida era boa? Por que você saiu de lá?

– Inkié-tus, meu filho, dá para você fechar o questionário ambulante e ouvir?

E lá foram as bolhas fofoqueiras:

-Zum zum zum, blá blá blá, é um ambulante?

– Falante, sua bolha tonta?

– Zum zum zum, tonto!

– Blá blá blá, desmaiou de susto!

– Teve um surto e foi hospitalizado…

– Quem? Zum zum zum…

– O Rei!

Enquanto Íbora esperava que as bolhas fofoqueiras se calassem, as bolhas improvisaram uma assembléia (elas consideravam o trabalho de fofocar imprescindível para o equilíbrio atmosférico das esferas borbulhantes)

– Aaaaa mããããe… Repetiu Inkié-tus.

– Zum zum zum, vrum vrum vrum, blá blá blá, e conclusão:

– A mãe do Real Rei Ambulante Real surtou depois de saber que seu filho havia desmaiado por ser tonto, retifico: estar tonto, depois de ler e reler e tri-ler o “irrelatável” relatório do “nada posso fazer” e a culpa é sua e o mundo vai derreter! Enquanto o mundo não derrete os emissários do rei tentam assinar qualquer coisa, que configure a real necessidade do tratado de Ki Ôto?

Várias bolhas explodiram de tanto vrum vrum vrum, e claro: Proliferaram-se, porque bolhas fofoqueiras pertencem à camada mais antiga e estabilizada, significando: Quando você pensa que elas morreram, elas trocam de fofoca e se dividem em várias outras.

Algum tempo depois as bolhas já haviam intrincado todas as falas, e ganharam distância de onde haviam começado ao menos naquele momento fez-se o silêncio. Íbora continuou:

– A comida era farta, mas mesmo assim havia os que não conseguiam o suficiente. Era preciso obedecer às leis, que em algum momento foram implantadas e nunca soube quem as implantou…

As leis eram leis e legalmente indiscutíveis, mesmo que insensatas, porque existiam há mais tempo que os homens, digo peixes! Antes mesmo de quaisquer vestígios de vida na terra, digo: nas águas, as leis já existiam! E tenho dito e assim fica o dito pelo não dito, e pronto, porque é a LEI…

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