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cap.15 – SÁBIOS NÃO NASCEM SÁBIOS – JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

SÁBIOS NÃO NASCEM SÁBIOS; ELES APRENDEM… – JOYCE  DAMY MOBLEY

É que qualquer sabedoria só pode ser passada à diante quando encontramos sábios que estejam abertos para serem tocados internamente.

Enquanto nadava para o ponto de encontro, Mestre Íbora, como agora era conhecido, refletia sobre as mais diferentes experiências que tivera. Algo de inquieto parecia crescer dentro dele, mas a inquietação pareceu diminuir assim que começou a falar para todos aqueles que quisessem ouvir…

Você (que está lendo) pode pensar, assim como eu já pensei um dia, que todos queremos aprender… Não é verdade, assim como não é verdade que mesmo desejando dar alguns passos além estejamos prontos para realmente crescer. Mas isso sou eu quem está brincando de achismos, vamos dar a palavra ao Mestre:

– Amigos, quando aqui cheguei sonhava encontrar o Grande Lago…

Enquanto falava não se ouvia nem mesmo um som, que não o som de suas palavras, o som do seu coração, pois desde que aprendera a  pensar com os sentimentos e sentir com os pensamentos, Íbora falava por inteiro.

As bolhas fofoqueiras? Não compareciam às aulas, pois sabiam que a tal de sabedoria pode ser perigosa para a manutenção do árduo ofício de fofocar. É que algumas bolhas, logo no início, que compareciam aos encontros de trocas de sabedoria, eram estranhamente transformadas. Ficavam quietas por algum tempo, ficavam reflexivas, e,  reflexão não é compatível com a sobrevivência das fofocas.

A vida das bolhas dependia diretamente do tamanho de suas bocas, quando comparadas ao pequeno cérebro. Quanto maior a boca, e menor o cérebro, mais eficiente eram as bolhas.  Não era necessário ter um bom ouvido, apenas ouvido suficiente para espalhar partes de frases, partes de verdades, que uma vez divididas e espalhadas tornavam-se mais potentes que qualquer frase verdadeira. Percebe o perigo?

Enfim, logo no início as bolhas rodeavam Íbora e onde quer que ele fosse lá iam as bolhas para espalharem histórias sobre o misterioso peixinho. Algumas delas eram tocadas de tal forma que se transformavam em bolhas quietas, coloridas, e no lugar de falarem espalhavam doces canções… Por esse motivo não havia uma única bolha por perto, e a voz de Mestre Íbora podia ser ouvida por todos que assim escolhessem.

E Mestre Íbora continuou:

– Sonhava um lugar onde não encontrasse limites, ou margens… Por um tempo havia tanto para aprender enquanto ensinava sobre o que vivera que não percebi o tempo passando.
Meu amigo Lufos, aqui presente, ensinou-me a evitar as iscas trapaceiras; e aprendi que muitas coisas podem ser chamadas de iscas trapaceiras…

– Amigo Íbora, ainda me recordo da decepção que vi estampada em seu rosto quando lhe disse que este lugar era um rio – Lufos ria e falava ao mesmo tempo, ele sempre fora assim – Lembro-me de nossa primeira expedição até uma das margens do nosso rio. Levamos alguns dias para que lá chegássemos, e você insistentemente perguntava se eu estava certo de que aqui não era o Grande Lago.

– É verdade, Lufos… Estava tão habituado a contar ladrilhos, a sentir a fúria e pequenez de canos apertados, que as margens, de que você tanto falava, pareciam não existir. Por dias duvidei de que pudéssemos alcançá-las, e imaginava que você estava enganado.

– Sim, Íbora, foi quando aprendemos o real significado de “quando o aprendiz não está pronto pode tentar modificar o mestre no lugar de aprender a lição”.

Ambos riram da lembrança e prosseguiam enriquecendo os corações daqueles que não haviam compartilhado as mesmas experiências. Havia muitos peixinhos que ainda não estavam prontos para a aventura de chegar até as margens do rio, e voltarem ilesos, porém diferentes internamente.

– Juntos aprendemos como seguir as correntezas, como evitar as correntezas, como não nadar contra as correntezas…

– Recorda-se, amigo Íbora, da primeira vez que fomos levados pelas corredeiras?

– Como esquecer? Pensamos que seria o nosso fim! Ficamos agarrados às pedras como se fossem a garantia de nossa sobrevivência. Grande engano!

Tanto Íbora quanto Lufos pareciam perdidos em lembranças vividas e compartilhadas; sorriam sem nada dizer até que Inkié-tus…

– Conta mais, conta mais, conta mais!

– Quieto, Inkié-tus… Você precisa sentir as lembranças que os mestres estão a compartilhar…

– Mas mãe, eu quero ouvir mais histórias! Eu não gosto dessa lição de sentir e sentir e sentir, isso não tem graça nenhuma!

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