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cap.18 – SABIAM QUE SABIAM – JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

SABIAM QUE SABIAM – JOYCE  DAMY MOBLEY

Sorrindo olhou para o seu amigo, que sorriu de volta… Ambos sabiam que ambos sabiam (adorei esta frase maluca e não vou trocar; dang!)… Tá bom, tá bem, tá bom, tá bem, prometo não quebrar mais o clima, ou ao menos “tentar não quebrar o clima”, mas eu sou assim mesmo, e já que eu estou escrevendo… Calma, já vou!

Inkié-tus estava mais uma vez inquieto:

– Ooooooo Joyce, dá pra você ficar quieta e deixar os dois falarem?

– Fica quieto Inkié-tus, ou eu tiro você da história, hãm!

– Tá bom, tá bem, tá bom, tá bem! Mãe, você viu o que a Joyce disse?

– Cala-te! Disse Kálati, ou ela me tira da história também!

– Tá bom, tá bem, tá bom tá bem, posso falar “que saco”, mãe?

– Pergunta pra Joyce…

– Eu não! Dessa vez vou ficar quieto antes que ela me apague mesmo!

– Que saco! (agora sou eu mesma falando) Dá pra vocês todos calarem a boca? É que já me perdi nessa história e então eu vou almoçar!

– Tomara que ela não vá almoçar um peixe, né mãe?

– Yéérrcow, seu bobo, eu não consigo almoçar peixe quando estou escrevendo vocês!

Lufos resmungava, e comia… Íbora ouvia “os resmungos”, e comia…

– Se você não houvesse me arrastado, eu não estaria aqui!

– Qual é o seu medo, Lufos?

Íbora finalmente se cansara de ouvir as reclamações de Lufos, assim como a série de acusações culposas  (acusação culposa é quando um peixe fica resmungando, e falando, e reclamando, sem nunca falar diretamente o se passa. Por trás de cada frase existe uma intenção de fazer com que o outro, ou outros, peixes sintam-se se responsáveis) que ele não parava de fazer. Havia algo na frase de um Grande Mestre, que sempre incomodara Íbora: “Tu és responsável por tudo o que cativas”…

– Medo? E você acha que sou o tipo de peixe que teme alguma coisa?

– Acho sim, não achava, mas agora acho.

– Como assim?

– Desde que as correntezas ficaram menos prazerosas você não pára de me acusar por tê-lo arrastado para a confusão em que nos metemos.

– Nos metemos? Não! Foi você quem me meteu nesta confusão!

– É exatamente sobre isso que estou falando! Ouça-se, Lufos! Ouça a frase que você acabou de falar…

– Que você me meteu nessa confusão?! E não meteu?!

– Não, absolutamente não! Se eu soubesse que seria tanta confusão provavelmente teria impedido que você viesse comigo, mas teria vindo da mesma forma.

– Mas você me seduziu para vir…

– Não, mais uma vez não, Lufos! Você sentiu-se seduzido e agora não quer assumir que decidiu vir, quando eu disse que viria…

– Você está sendo irresponsável, Íbora! Não se recorda do ensinamento de que você é responsável por tudo o que cativa?

– Leu meus pensamentos Lufos! Nunca -antes- me foi tão claro o que me incomoda em tal ensinamento. Cheguei à conclusão que cativamos, e nos deixamos cativar porque queremos. Vivemos uns com os outros e não nos é possível ser responsável por tudo, ou todos, que cativamos. Acaso você, meu amigo, já pensou em quantas vezes você já foi cativado por um livro, por um Mestre, por uma idéia, que você ouviu por acaso?

– Muitas, Íbora…


– Já pensou em quanto você é cativante?


– Não, nunca pensei sobre isso…


– Não pensou, mas sabe que assim o é.


– Sei… E a culpa é minha?


– Culpa, culpa, culpa! Detesto essa palavra e tudo o que ela significa! Acaso eu falei em culpa?

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