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cap.21 – MESTRES PEREGRINOS – JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

MESTRES PEREGRINOS – JOYCE DAMY MOBLEY

Encontram-se com outros rios onde entrelaçam suas águas e suas existências, sem nenhum questionamento, apenas um exercício de entrega…

Só para relembrar:

Todos são alunos e todos são mestres, em qualquer curva de um rio qualquer você pode deparar com um mestre vestido de andrajos… Não perca as oportunidades, ou perca, não faz diferença porque sempre nos deparamos com as mesmas coisas quando precisamos deixar crescer um lado de nós mesmos.

Mestra  PãCiência dizia:

– Sim, minha criança querida, existe um Grande Lago…

Todas as escamas de Íbora arrepiaram ao mesmo tempo! Lufos arregalou os olhos! Íbora não se conteve:

– Mestra PãCiência, a senhora poderia falar um pouquinho mais sobre o Grande Lago?

Ela olhou para Íbora desde um olhar que parecia já ter conhecido vários Íboras durante a sua longa vida. Era um olhar calmo, algo profundo que desvendava a alma fazendo com que Íbora sentisse que estava despido do avesso, de algum avesso que nem mesmo ele conhecia em si mesmo.

– Os rios, quando não desviados por um estranho animal que pertence à espécie dos Humanos, desembocam, ou encontram-se com outros rios onde entrelaçam suas águas e suas existências, sem nenhum questionamento, apenas um exercício de entrega… Entrega final…

Íbora tinha milhões de perguntas, mas era sensível o bastante para perceber que Mestra PãCiência falava em estado de alfa (depois explico isso, ou você mesmo pode procurar na internet), e ela continuou enquanto parecia falar com e para o próprio universo:

– Entrega final nunca é o fim de algo, ou de uma existência… É quando transcendemos à necessidade de nos mantermos como uma unidade separada, nos unimos à outra unidade separada, e juntos nos transformamos, transcendemos, somos mais, mesmo que possamos nos separar depois de um tempo…

Assim, os rios encontram-se com outros rios e se tornam mais do que seriam separadamente, mais do que seriam se apenas se acompanhassem, transcendem e ainda mantêm as próprias histórias acrescidas das várias histórias e vidas que passaram por suas águas…

Íbora não se conteve:

– E o Grande Lago, Mestra PãCiência? Ele realmente não tem margens?

Ela sorriu e respondeu:

– Alguns sábios precisam percorrer todos os rios para então voltarem para casa. Outros sábios jamais precisam sair de casa… Ambos são sábios que percorrem os próprios caminhos para chegarem ao mesmo lugar… Guarde essas palavras dentro de algum lugar da sua memória, pois um dia elas farão sentido para você…

Retomou o tema da aula:

– Os rios desembocam no mar, creio, minha criança, que o mar seja o que você chama de Grande Lago… Não há margens no mar, se é isso o que você tanto precisa saber… Há outras existências, outras formas de vida, outras espécies de peixes, tartarugas, enfim há muitas coisas diferentes do que as que existem nos rios.

– É para lá que eu vou! Íbora pensou isso em voz alta…

– Estou ferrado, pensou Lufos em voz pensada mesmo!

Mestra PãCiência sorriu um sorriso complacente e disse:

– Criança, peixes da sua espécie não sobrevivem no mar… Você pode ir bem pero, apreciá-lo de longe até onde os seus olhos alcancem, mas jamais poderá viver, ou sobreviver às águas salgadas do Grande Lago.

Lufos suspirou aliviado (por instantes sentira medo de que Íbora o deixasse e partisse sozinho para o Grande Lago), abraçou o seu amigo, pois sabia o quanto ele sonhara com o Grande Lago, o quanto se empenhara para encontrá-lo!

Íbora sentiu os olhos molhados, mais molhados do que a própria água… Lágrimas eram salgadas, e também o Grande Lago… Seriam iguais? Íbora enxugou os olhos porque chorar não mudaria a realidade, e também não queria fazer uma cena diante da verdade… Se o fizesse, sabia, as verdades fugiriam dele por algum tempo e o deixariam solto em seus próprios pensamentos para que os criasse e recriasse segundo as próprias verdades.

Nosso amigo não parava de pensar-sentir:
Se as lágrimas eram salgadas, e também o mar, por que ele não poderia viver essa experiência, sendo que seu próprio corpo produzia água salgada? Será que o Grande Lago era triste? Mas os peixes choram de alegria também, e de emoção, e de tanto rir!

Havia muito que pensar-sentir, e sabia que faria muitas outras perguntas à Mestra PãCiência, mas naquele momento, nosso peixinho sentia que precisava responder algumas de suas próprias perguntas…

A-hammm,

Joyce Mobley

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2 Comentários leave one →
  1. Becca permalink
    31/03/2010 7:16 pm

    Ela olhou para Íbora desde um olhar que parecia já ter conhecido vários Íboras durante a sua longa vida. Era um olhar calmo, algo profundo que desvendava a alma fazendo com que Íbora sentisse que estava despido do avesso, de algum avesso que nem mesmo ele conhecia em si mesmo.

    E mais este!
    xoxo da Becca

  2. Becca permalink
    31/03/2010 7:15 pm

    Íbora tinha uma intenção… Não se machucava por nada… Na verdade, criar resistência, não pode ser considerado como um machucado… É mais uma forma de aprender a proteger-se enquanto se expõe, enquanto se vive de peito aberto para poder aprender um pouquinho a mais, porque só uma vida é muito pouco para aprender tantas coisas.

    xoxo da Beccca mais amada!

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