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cap.24- INSTANTES MÁGICOS – JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

INSTANTES MÁGICOS – JOYCE  DAMY MOBLEY

Não há apenas um ponto, um instante, mas vários…

Como as coisas simples podem ser tão difíceis… Que magia há na simplicidade que a torna tão complexa? Talvez seja a desconfiança ou a ausência da confiança… Você já parou para pensar que desconfiança, e ausência de confiança são duas coisas diferentes? Pensa e depois me conta se quiser, é claro… Você sempre pode guardar para si aquilo que aprende, percebe… Não é esse o ponto.

O ponto é mágico por ser único e diferente em cada ser existente; é como um instante mágico, um instante de decisões que pode mudar quem você é por que decide quem vai alimentar dentro de si… Não há apenas um ponto, um instante, mas vários… Há peixes, pessoas, pássaros, pedras, que preferem guardar para si mesmos tudo o que sabem como se fosse uma garantia de poder destacar-se, ser mais do que os outros, usar no momento certo, e… Ou…

Momento certo é aquele em que se está vivo e generoso diante da existência, só isso, assim tão simples, e, se complicou é por que as coisas simples são mágicas e difíceis de serem percebidas enquanto não se despega do poder que a desconfiança pode conferir, ou não…

No fundo, bem no fundo, Lufos havia compreendido o que Íbora dissera, mas ainda se deixava contaminar e alimentava o medo de não poder voltar para casa:

– Aiiiiiiii, Íbora, como você é idiota! Você acha mesmo que teremos que ir até a lua para voltar para casa? Você não sabe de nada!

Íbora, apesar de um pouco mais desperto para os ensinamentos da vida, um pouco mais aberto para ver através do óbvio, também não passava de um garoto, e logo se deixou levar pela vontade, desta vez dele, de torcer o pescoço de Lufos, mas sou um pouquinho torcido… Suficiente para que ele ficasse com um torcicosco, já que peixes não têm colo pra ficar com torcicolo!

– Lufos, me faz um favor? Vá ver se estou ali na curva do rio! Vá dar nó em pingo d’água! Vá pentear cabelo de pedras, e aproveita pra juntar as suas provisões porque partiremos nas primeiras horas do amanhecer!

E assim que Lufos virou as costas para Íbora, ainda sentindo-se traído e muito mais zangado que a própria zanga inicial… Íbora recolheu algumas lágrimas que teimavam escapar-lhe pelos olhos e guardou-as num minúsculo vidrinho que alguém derrubara no rio…

Ali ele guardava as lágrimas de emoção por aprender sobre as coisas mais lindas, as que lhe escapam quando aprendia sobre as coisas mais tristes, guardava as lágrimas de tantos risos… É que ele jamais esquecera que se seu corpo produzia águas salgadas, talvez não fosse tão impossível chegar ao Grande Lago…

– Mestra PãCiência?

– Sim, criança Mestre Íbora? Ela sempre o chamava de criança Mestre Íbora…

– Venho para lhe agradecer aos ensinamentos que me foram tão preciosos. Levarei cada um deles dentro de mim, e tentarei fazer com que se multipliquem… Gostaria imensamente de poder ficar por mais tempo, mas tenho que cumprir a promessa que fiz à Lufos…

Mais uma lágrima saiu dos olhinhos de Íbora, então Mestra PãCiência a recolheu, e guardou-a no vidrinho que Íbora imaginara ninguém soubesse existir… Antes que você se vá, deixa-me fazer algo mais por você, minha criança… Tirou ela mesma um vidrinho que continha as mais diferentes lágrimas, juntou-as ao vidrinho de Íbora, e lhe disse:

– Lágrimas são como as gotas das chuvas, carregam segredos misturados, cantam lindas canções, contam histórias tristes, partes de verdades… O segredo dos segredos, criança, é que você as ouça muitas vezes porque jamais cantarão as mesmas canções, jamais contarão as mesmas histórias, pois ao se misturarem somam e, contam também, as histórias do por vir…

– Eu volto, Mestra…

– Eu sei, criança, mas já não será a criança que hoje é… Morremos tantas vezes em apenas uma vida, Íbora, que quando você voltar, a criança de hoje estará misturada ao grande homem que você virá a ser. Talvez o encontre onde as margens não existem.

– Abraçaram-se de longe, porque a Mestra era tão grande em seus milhares de anos, que poderia machucar Íbora se o abraçasse fisicamente…

Abraço de longe? Você não sabe como é, né? É assim:

Você olha profundamente os olhos de quem vai abraçar esse alguém o olha profundamente… Você abre a porta dos sentimentos e conversa silenciosamente,  sem nenhuma palavra… Fala do seu amor, relembra momentos de risos, momentos de erros conjuntamente juntos… Depois de relembrar você sopra desejos dos desejos de volta para ela mesma. Não vale soprar os seus desejos,isso não seria um abraço, seria uma prisão…

A-hammm,

Joyce Mobley

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One Comment leave one →
  1. Daniel Goldman permalink
    31/03/2010 7:02 pm

    O ponto é mágico por ser único e diferente em cada ser existente; é como um instante mágico, um instante de decisões que pode mudar quem você é por que decide quem vai alimentar dentro de si… Não há apenas um ponto, um instante, mas vários… Há peixes, pessoas, pássaros, pedras, que preferem guardar para si mesmos tudo o que sabem como se fosse uma garantia de poder destacar-se, ser mais do que os outros, usar no momento certo, e… Ou…

    Momento certo é aquele em que se está vivo e generoso diante da existência, só isso, assim tão simples, e, se complicou é por que as coisas simples são mágicas e difíceis de serem percebidas enquanto não se despega do poder que a desconfiança pode conferir, ou não…
    UA

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