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cap.26 -TU ÉS DO TAMANHO DE TEUS SONHOS – JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

TU ÉS DO TAMANHO DE TEUS SONHOS – JOYCE DAMY MOBLEY

O dia já ia longe e os dois amigos já podiam avistar a pequena cidade que ficava na curva do rio (não me lembro mais o número da curva, mas se você quiser, volte alguns capítulos, depois volta pra cá, me conta e eu coloco aqui, tá?)…

As bolhas fofoqueiras estavam em alvoroço! Na verdade estavam em alvoroço há dias… Falavam que um exército de vidros -que engoliam segredos- aproximava-se da curva… (alguém foi lá buscar o número da curva? eu não lembro… são muitas curvas, é que os rios são sinuosos como as deusas das águas doces… Tá, deixa pra lá, vamos sem o número da curva!)

As bolhas não têm nomes próprios, como as fofocas, é claro!

– O exército de vidros!

– Affff, não me diga, amiga…

– A amiga da Affff passou para o lado dos vidros!

– Que horror!

– Um pavor…

– Que será de nós?

– Seremos exterminadas…

– Estão dizendo que seremos examinadas por um doutor que é de vidro que tem uma mala que engoliu o Lufos, e olha que Lufos era grande!

– Onde iremos parar?

– Em que mundo, digo rio, que nós estamos?!

– Melhor contar para mãe de Lufos, que Íbora engoliu os vidros do exército que continham o segredo dos segredos!

– Mel Santu Padinhu Padi Miudinhu, que será de nós?

– Deixaremos de existir…

– Como poderemos espalhar os segredos agora  quê foram engolidos pelas gotas das chuvas que caíram do teto de um dia em noite de sol?

– Sol, sol mente sol, assim vou me chamar, assim você vai ser…

– Cala a bolha sua tonta, isso é parte de uma música do Ministro do Real Palácio Real, do peixinho que morreu no vidrinho!

– Nooossa, segredos devem estar putrefatos!

Inkié-tus virava de um lado, virava do outro, de  novo virava até que: Tchibuft! (isso é Inkié-tus caindo da cama, tá?) E lá foi Kálaty:

– CALA-TE Inkié-tus!

– Mas eu não disse nada mãe!

– Disse sim! Não entendi bem o que era, mas alguma coisa de Katchipúft!

– Eita, mãe, eu só caí da cama…

– Ô meu bicudo, machucou?

– Não mãe…

– Ainda bem, mas vê se fica quietinho, meu Inkié- tinhus…

– São essas bolhas que não param de falar. Tento dormir, mas elas não ficam quietas!

– Cante meu filho, cante alguma coisa bem linda que fique acima da voz das bolhas fofoqueiras…

– Eu estava cantando uma musiquinha que elas mesmas cantaram…

– Meu benzinho, não se deve repetir o que as bolhas fofoqueiras dizem, nem mesmo o que elas cantam.

– Eu sei mãe, mas a música grudou na minha cabeça e fica se cantando sozinha!

– Como?!

– Assim, ó mãe: Sol, sol, sol mente sol, assim vou me chamar até você vai seRrRrRr……………

(os RrRr são os estrimiliques da voz de Inkié-tus; estrimiliques, como fazem os cantores de ópera, entendeu? Acho bom você ter entendido porque não sei explicar melhor)

– INKIÉ-TUS!!! Bata na boca três vezes e vá lavá-la com sabão para que aprenda a não cantar fofocas!

– Posso falar, mãe?

– Cala-te!

– Num calu-tus não, eu vou falar e depois eu lavo a boca com sabão e se você ficar muito zangada eu tomo outro banho cheio de sabão…

Kálaty, que também não era feita de ferro, mas de escamas, acabou rindo de seu filho e permitindo que ele lhe contasse (só um pouquinho) do que as bolhas fofoqueiras estavam a espalhar…

– Ueba! Elas disseram que: o Ministro da Banda Musical do Real Realésinho Lago Legal (nossa quanto nome, tem que tomar o fôlego pra continuar…), vem chegando de putrefatos, e traz os corpos de Íbora e Lufos dentro de vidrinhos…

– Eles morreram meu filho?!

– Não mamãe, só engasgaram com a maçã da bruxa da Branca de Neve… E agora, mãe, tadinhos deles, vão ficar com os sete anõezinhos até que o Príncipe venha do Lago Legal pra dar um beijo neles…

– Não seria uma Princesa?

– Isso mesmo, mãe, como você é sabida!

Kálaty sentiu-se envaidecida com o elogio que o filho lhe fizera, afinal… Não são todos os dias que os filhos fazem um elogio para uma mãe que passa o dia a berrar: Cala-te boca! Como também não são todos os dias que um filho inquieto consegue uma chance de fazer um elogio, entre um cala-te e outro…

Ambos acabaram adormecendo com uma sensação de gostoso carinho dentro do coração… (Ai ai, até eu me emocionei… Vou ao banheiro soprar o nariz de tanta emoção!)

Íbora e Lufos estavam felizes por chegarem em casa (quase, quase chegaram, mas estavam bem pertinho)… Até Íbora, que fora resistente, sentia-se feliz por rever os amigos… A ansiedade era grande, mas a noite  estava muito noite, noite demais da conta!

Lufos achou melhor que encontrassem um lugar para tentarem dormir; temia por seu amigo Íbora, que era muito menor do que ele, poderia facilmente ser alvo de um predador, e não eram poucos os pedradores que se mostravam quando os olhos não podiam ver…

A cidade adormecia, Inkié-tus tinha um sorriso nos lábios enquanto dormia; também Kálaty tinha no sorriso um lábio, ooops, digo: Tinha um sorriso nos lábios…

Tem coisa mais gostosa do que dormir com um sorriso nos lábios e muito amor no coração? Tem não! Eu perguntei pra você, mas foi mera hipocrisia de minha parte, porque isso é uma afirmação redonda!

– blá blá blá

– blu blu blu

– bjhugcioawfço

– bduwgop……………………… (são as bolhas fofoqueiras… é que nem eu consigo mais entender do que elas tanto falam, fiquei confusa, e quase dei um nó nos dedos)

Tchau, até amanhã, os peixes já estão dormindo

e eu não vou ficar aqui contando os sonhos deles,
porque não sou uma bolha fofoqueira, e nem você, né?

Psiuuuuuu…

Não faz barulho, apaga a luz e fecha a porta, por favor?
Se você acordar esses peixes, eles não vão me deixar dormir…

A-hammm,

Joyce Mobley

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