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cap. 30 – COMO, ASSIM DE REPENTE? – JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

– COMO, ASSIM DE REPENTE? – JOYCE DAMY MOBLEY

– Desculpa Senhor Machucá-lo… Não pretendia machucá-lo… Nosso amigo continuava a falar enquanto procurava o Senhor Machucá-lo:

– Não consigo vê-lo… O senhor é daqueles peixes que se camuflam? Estou olhando para baixo, mas mesmo assim não consigo encontrá-lo, Senhor Machucá-lo…

– Eu-meu

– O que é seu, Senhor Machucá-lo, o chuing plókyty?

– Eu-meu é o meu nome!

– Sim, sim, sim… Disse Íbora na ausência de algo mais inteligente para dizer diante da situação inusitada.

– Vai demorar muito para sair de cima das minhas costas? Há dias você sai pega algo para comer, volta, senta-se sobre minhas costas… No início achei engraçado, mas agora já estou ficando um tanto cansado. Como é o seu nome?

De um salto:

– Íbora, muito prazer Senhor Machucá-lo Eu-meu!

– Mestre Íbora… Imaginei-o um tanto mais velho e um tanto menos parvo…

– Imaginei que o senhor fosse uma pedra, Senhor Machucá-lo Eu-meu, peço-lhe desculpas se o machuquei!

– Você não me machucou, e pela última vez; meu nome é Eu-meu!

O senhor Eu-meu era um ser um tanto diferente (nem eu sei explicar muito bem, mas consigo vê-lo aqui dentro da minha cabeça); a sua voz parecia sair entrecortada e soprada – talvez por isso soasse como se estivesse rindo o tempo todo. Íbora levaria alguns dias até perceber as diferentes entonações da voz de Senhor Eu-meu, para então discernir quando ele falava sério, quando brincava, quando um suspiro era um suspiro e não um riso…

Foram tantos dias a observar tudo o que se passava… Como pudera não se dar conta de que sentara sobre o Senhor Eu-meu? Incrível como podemos não perceber aquilo que está na nossa cara, ou na nossa… Digo: Logo ali… Lá… Embaixo de nós, pronto!

– O senhor deveria ter dito que eu estava sentado nas suas costas…

– Se houvesse dito teria perdido a massagem (desta vez ele ria mesmo), disse quando quis, porque também achei divertido observá-lo a observar tudo em volta de si.

Íbora riu-se do bom humor e sabedoria de Eu-meu! Enquanto observava tudo o que podia para aprender mais sobre Ítaca, Eu-meu aproveitava a massagem, e, observava o observador… Quanto mais pensava sobre isso, mais Íbora apreciava seu estranho novo amigo, de nome igualmente estranho.

A noite já ia avançada quando as bolhas fofoqueiras iniciaram os fuxicos venenos… Espalhavam por cada pequena curva, buraco, buraquinho e buracão, que Penélope desfazia durante a noite o que tecera durante o dia: Um manto para seu sogro Laerte…

Embora Íbora não achasse de muita importância o fato de desfazer todas as noites o que fizera durante o dia, também não conseguia entender porque a cidade fora tomada de tanta comoção…

Eu-meu estava muito sério… Nosso amigo já conhecia as diferentes entonações de sua voz, e também as diferentes expressões faciais (sim, ele tinha uma face que só poderia ser vista por aqueles que quisessem muito, e por aqueles a quem Eu-meu escolhia apresentar-se); Íbora manteve-se em silêncio esperando que seu amigo dissesse o que se passava.

– Triste, muito triste, e um momento perigoso. Precisaremos tomar providências!

– Quem? Nós, Senhor Eu-meu?

– Não apenas nós, mas também os deuses terão que interferir diante de tal perigo!

– Não quero parecer indelicado, Eu-meu, mas não posso compreender porque desfazer o manto que ela mesma, Penélope, tece durante o dia, possa ser tão perigoso… Não me nego a ajudar, tampouco quero desfazer da importância de tal fato, mas a mim me escapa…

– Quieto Íbora! Preciso pensar!

Por alguns minutos Íbora sentiu-se como Inkié-tus, e por muito pouco não repetiu a fala daquele peixinho danado: Mas, eu não fiz nada… Sentia-se como Inkié-tus, sem dúvida nenhuma! Pensava: Quanto tempo Eu-meu precisa para pensar?

– Há vinte anos, Ulisses, marido de Penélope, poderoso peixão de Ítaca, saiu para conhecer o Mar… Há vinte anos Penélope espera por seu retorno… Poucos fiéis, para além dela mesma, e seu filho Telê-maco, e eu, acreditam no retorno de Ulisses.

– Sim… Disse Íbora, apenas para encorajar o Senhor Eu-meu, que continuou:

– Você já reparou na beleza de Penélope?

– Não querendo parecer descortês, sim, já reparei que é muito bela…

– Não apenas bela, meu amigo Íbora, mas muito rica… Aquele que se casar com ela herdará a posição social de Ulisses, e também todo seu dinheiro… Por anos Penélope tem conseguido afastar seus pretendentes, mas eles se fazem mais e mais impacientes.

-Compreendo, disse Íbora mais uma vez, apenas para encorajar Eu-meu…

– Não compreende não!

Nosso amigo, que percebia a tremenda preocupação de Eu-meu, mas não o porquê da mesma:

– Isso eu não compreendo mesmo! Digo, compreendo, mas não compreendo!

– Cala-te Íbora!

Mais uma vez Mestre Íbora sentiu-se como o pequeno Inkié-tus…

– Calado estou, Eu-meu, pode continuar a pensar alto, assim posso acompanhar seus pensamentos…

– Penélope encontra-se em perigo, precisamos fazer alguma coisa! Essas bolhas fofoqueiras acabaram com o plano que servia para ganhar tempo; tempo para que peixão Ulisses voltasse para pensão da mãe Joana, ooops, digo, voltasse para os braços e abraços de Penélope e do seio, digo, o seio da família, e não o seio de Penélope!

– Concordo plenamente, Eu-meu, eu também penso o mesmo! Não estou entendendo muito bem, mas se você que é Eu-meu assim pensa, então, meu, eu também penso a mesma coisa!

– Sou muito vagaroso, Íbora…

– Dever ser mesmo, amigo Eu-meu, porque antes que mo dissesse, eu nem havia percebido que o senhor se mexia…

– Cala-te Íbora!

– Calei-me já, calado estou, e também um tanto enjoado de me sentir como Inkié-tus!

– Íbora!

-Sim senhor presidente comandante senhor pedrinha Eu-meu!

-Vá já buscar Telê-maco, e diga-lhe que preciso lhe falar! Diga-lhe que se apronte para ir até o Grande Lago, digo, o mar, para buscar Ulisses! E você, amigo Íbora, apronte-se porque vai acompanhar Telê-maco nesta jornada!

Íbora estava atordoado, e seu coração aos saltos!  Sim, enfim… O Grande Lago?Mas… Assim?! De repente?! E no meio da história dos outros?

A-hammm,

Joyce Mobley

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