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cap. 33 – E SE FOSSE IRRELEVANTE?- JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

E SE FOSSE IRRELEVANTE? – JOYCE DAMY MOBLEY

Íbora teve sonhos estranhíssimos aquela noite… Sonhos tão estranhos que nem mesmo ele como todo o treino em desvendá-los para aprender sobre as lições que carregavam… GPS? Mamis? Papis?

Tudo era tão urgente de repente, não mais que de repente (esta frase não lhe era estranha, ao menos isso não lhe parecia estranho… Deve ter sido dita por um Mestre cujo nome lhe escapava…). A única coisa clara era o sentimento de não querer participar daquela história de não encontrar uma forma de negar-se…

A cabeça de Íbora rodava… Não fora nada disso que ele planejara! Entrar no Mar, no Grande Lago, assim? Não era para ser assim… Sentia-se dividido e confuso. Não podia deixar de ajudar as pessoas só porque sonhara durante tantos anos com uma grande entrada no Grande Lago…

Gastara tanto tempo a sonhar que encontraria o abraço sem margens no mar…  Reconhecia que nem mesmo ele sabia que abraço era esse… Um abraço sem margens só pode ser uma coisa muito acolhedora, aconchegante, quase completa…

E se fosse tudo uma grande bobagem? E se não fosse? Mas, como ser tão egoísta ao ponto de deixar de ajudar só porque isso o tiraria do caminho que escolhera. Talvez sair do caminho fosse necessário.

Estava a repetir a atitude que tanto criticara em Lufos: o quanto não se atirava nas aventuras porque queria garantias a cada pequeno passo que dava?

Por outro lado, esta não era apenas uma nova aventura, era a aventura da sua vida… Não era assim… Definitivamente não era para ser assim!

Pessoas com tantas histórias enroladas, o que ele fazia ali, vivendo problemas que nem mesmo conhecia? Quem era Penélope? Quem era Telê-maco? Quem era esse peixão metido, esse tal de Ulisses?

E quem era Eu-meu para mandar que ele calasse a boca tantas vezes em apenas uma conversa? Quem eram esses deuses que também iriam interferir, e tudo por causa de um manto?

Pensar, pensar, pensar… Quanto mais Íbora pensava, menos se reconhecia… Sentia-se invadido, como se houvessem invadido a sua alma ao invadir o seu sonho. O que fazer? Olhar para si, para os seus sonhos, abrir espaço para os outros na sua existência?

O que seria um sonho se ele tivesse que virar as costas para o que havia de honesto dentro dele mesmo Íbora sempre fora solidário, consigo mesmo e com os outros. Por saber respeitar-se sabia respeitar os outros. Por saber colocar-se em primeiro lugar, também sabia sair da frente e ficar na sombra e dar espaço e luz para aqueles que precisassem…

Poderia a ilusão de um sonho torná-lo desumano, digo, despeixano? Íbora tinha esse costume de guardar em algum lugar da sua memória os pensamentos, os ensinamentos que não conseguia compreender, porque sabia que chegaria o dia em que aquilo faria um sentido que antes fora relapso, ou meramente despreparado, para perceber a profundidade…

Houve um Mestre que um dia lhe disse uma frase que precisa recordar neste momento… Sabia que se a recordasse, este seria o momento de compreendê-la em profundidade… Conquanto, eram tantos mestres, e tantas as coisas que Mestre Íbora ainda não realizara…

Pôs-se a procurar em cada parte de seu cérebro, de sua alma, de suas escamas, até mesmo do seu intestino, porque às vezes coisas importantes nos escapam por considerá-las menores, e passam a viver escondidas no intestino… Pior lugar! Dá um trabalho danado para recuperá-las!

A-hammm,

Joyce Mobley

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One Comment leave one →
  1. Daniel Goldman permalink
    31/03/2010 6:56 pm

    O que seria um sonho se ele tivesse que virar as costas para o que havia de honesto dentro dele mesmo Íbora sempre fora solidário, consigo mesmo e com os outros. Por saber respeitar-se sabia respeitar os outros. Por saber colocar-se em primeiro lugar, também sabia sair da frente e ficar na sombra e dar espaço e luz para aqueles que precisassem…

    Poderia a ilusão de um sonho torná-lo desumano, digo, despeixano? Íbora tinha esse costume de guardar em algum lugar da sua memória os pensamentos, os ensinamentos que não conseguia compreender, porque sabia que chegaria o dia em que aquilo faria um sentido que antes fora relapso, ou meramente despreparado, para perceber a profundidade…
    UA

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