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cap.35 -PLANTADO DESPLANTES- JOYCE DAMY MOBLEY

25/03/2010

PLANTANDO DESPLANTES – JOYCE  DAMY MOBLEY

DIFÍCIL NUNCA FOI TAMPOUCO SERÁ, SINÔNIMO DE IMPOSSÍVEL!


Desta vez, Íbora partiu quase tão feliz quanto partira do Real Lago Real!

Enquanto nadava para longe de tanta confusão, que nem fazia parte da sua vida, ia refletindo  sobre isso… Isso o quê? Isso, de podermos nos dar conta de que algumas realidades não são nossas apesar de atravessarem a nossas vidas, por vezes…

Às vezes, mais vezes do que desejaríamos, mas isso sou eu quem está pensando, e não Íbora.

Voltemos à Íbora, que enquanto agia (ao nadar para longe da confusão) também refletia (às vezes podemos e devemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo, menos em caso de incêndio, que é melhor correr primeiro e pensar depois, é claro!)…

Lá estou eu de novo misturando os meus pensamentos aos pensamentos de Íbora! Vou pegar um café e ouvir uma música, para deixar Íbora criar corpo. Espera um pouquinho, tá?

Nosso peixinho já se imaginava no mar, no Grande Lago, imaginava as tais baleias, o céu que poderia ver se pegasse carona em uma delas, quando se deu conta de que estava deixando de apreciar o caminho ao jogar-se nas futuras aventuras.

Ao dar-se conta de que jogar-se no futuro só lhe traria ansiedades recordou-se de uma lição que tivera com algum mestre, de quê: o futuro, assim como o passado, existe no presente de cada ser peixinho… Complicado?

Eu explico: O passado existe no presente ao permitirmos que ele, o passado, determine o nosso presente, não como um guia que acrescente, mas como algo que nos paralise… O futuro também pode ser paralisante se o imaginarmos pintado em cores sombrias. O futuro existe no presente de nossas escolhas de caminhos, e o passado existem no presente nas escolhas, caminhos, ensinamentos que já vivemos. Entendeu? Se não entendeu pergunte.

Pensava sobre todas as coisas que Eu-meu, nascido há dez mil anos atrás, lhe ensinara:

Plásticos deviam ser evitados, pois são piores do que as iscas e estão matando grande parte da vida na terra, ar, mar, rios, e outras vidas ainda desconhecidas.

Descobriram, mas Eu-meu não sabia quem descobriu, por isso o descobriram… Alguém que não eu e nem você, descobriu que há outro mar dentro do mar, um mar feito de plástico muito perigoso, e que Íbora deveria evitá-lo, jamais deixar-se enganar, pensar que esse tal de plástico era de brincadeira,  ou para se brincar…

Claro, que Eu-meu também lhe contara coisas boas sobre o Grande Lago, e outras coisas que nem mesmo Eu-meu e seus dez mil anos de vida souberam explicar: Se as praias eram as margens do Grande Lago… Será? Isso era uma dúvida, uma grande dúvida!

Aprendera que poderia pegar carona com as baleias para ver o céu, e o sol, e as nuvens, mas as baleias eram grandes demais para chegarem perto da praia…  Perto? Sim e não… Perto, mas não o bastante para que Íbora pudesse constatar com o próprio corpo, e escamas, e espinhas, e barbatanas…

Íbora começou a pensar alto:

– Se eu pegar uma carona com a baleia, e depois seguir sozinho até a beirinha  da praia, do mar da praia, de sei lá onde? E se eu embolar naquelas tais ondas violentas e for parar num tal de balde colorido que pertencem àquelas coisas estranhas que chamam de crianças? Isso poderia, deveras, ser um perigo dos grandes!

Íbora respondeu para ele mesmo:

– Quantas vezes é preciso que você aprenda a ficar no presente? Que você aprenda a parar de se dar sustos com o futuro? Quantas vezes você precisa aprender que, já que vai imaginar, então, imagine o melhor? Que imaginar deve ser um exercício encaminhado para o bem, para as coisas boas?

Lá ia Íbora conversando consigo mesmo quando ouviu:

– Quantos anos você tem para estar falando sozinho?

– Quantos anos é preciso ter para estar a falar sozinho, respondeu Íbora.

– Uns quatrocentos anos…

– Pois então tenho quatrocentos anos!

– Deve ter mais do que isso porque você é muito emburrado!

– Não pertenço à espécie dos emburrados, respondeu Íbora.

– Qual é a sua espécie, peixinho malcriado?

Íbora não conseguia acreditar em seus próprios ouvidos! Desde que saíra da curva do rio, onde era Mestre Íbora, ninguém mais parecia tratá-lo com a menor deferência! Era um tal de cala-te Íbora, e peixinho mal criado?

– Malcriado, eu?

– Sim, você mesmo!

– Desplante! Disse Íbora.

– Plante!

– Como? Perguntou Íbora para expressar que não entendera a resposta…

– Plante…

– Como assim? Perguntou Íbora.

– Eu é que sei? Foi você quem me mandou plantar…

– Eu não mandei você plantar nada! Respondeu Íbora.

– Pelo amor de São Peixinho, seu… Seu… Desassumido!

– Desassumido, eu? Perguntou Íbora

– Pois se você disse: Diz plante!

– Eu não disse, diz plante! Disse Íbora!

– Disse sim, seu mentiroso!

Nosso peixinho estava pasmo…

– desplante foi o que eu disse!

– Ah, tá…

– Ah, tá, o quê?! Íbora já estava irritado, e eu também!

– Ah, tá, de: Está bem, está certo, mas poderia ao menos ter pronunciado direito porque parecia DIZ  PLANTE, e eu disse PLANTE!

– Conversa mais maluca, disse Íbora.

– Enfim, concordamos sobre alguma coisa! Conversa mais maluca! Maluco é você que estava a conversar sozinho, e eu não quero mais conversar com você!

Íbora ficou, mais uma vez, boquiaberto… Daqueles boquiabertos de peixe: Abre e fecha a boca, só para abrir e fechar a boca mais uma vez, sem dizer uma só palavra para – quem sabe – o raciocínio pegar no tranco… Digo, para ter tempo de raciocinar melhor e tentar, ao menos, compreender parte de diálogo tão estranho…

A-hammm,

Joyce Mobley

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One Comment leave one →
  1. Daniel Goldman permalink
    31/03/2010 6:31 pm

    PODERIAS MUSICAR OS CAPÍTULOS.
    UA

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