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cap.6 -ESPAÇO ENTRE ESPAÇOS-Joyce Mobley

25/03/2010

ESPAÇO ENTRE ESPAÇOS – Joyce Mobley

Íbora nem imaginava o caos que se instalara no Lago Real… Cansado depois de tanto ser jogado para todos os lados, e absolutamente confuso com o inesperado turbilhão que enfrentara Íbora não conseguia definir os estranhos sentimentos que afloravam cada vez que se lembrava do amigo, companheiro, instrutor, cúmplice de sonhos.


Encontrou um pequeno e apertado espaço, mas sem correntezas, onde conseguiu acomodar-se para descansar um pouco, pois não havia uma só escamazinha que não estivesse machucada e dolorida, depois de tanto ser jogado, sem o menor controle, nas paredes da tubulação.

Exausto adormeceu… Sonhou com o grande lago tão cheio de cores, de diferentes perfumes, de espaços que pareciam ilimitados, onde não podia avistar nenhuma parede cheia de repetitivos e enfadonhos ladrilhos. Não conseguiria descrever o que via no seu sonho, por que era tudo tão novo, tão diferente, que lhe faltavam palavras no vocabulário dos peixes que pudessem revelar aquilo que ele experienciava.

Esse sonho era tudo que Íbora precisava! Acordou sentindo-se bem melhor. Claro que ainda estava todo machucado, mas aquelas dores lhe pareciam menores diante de tudo o que buscava. Feliz preparou-se para enfrentar o que viesse à frente, por que era mais forte do que nunca a certeza de que havia esse lugar que ele tanto sonhara, e nesse lugar não havia nenhum ralo!

Pensou sobre os erros do dia anterior, e descobriu que quanto mais havia se esforçado para dominar o novo, mais se perdera, e mais se machucara. Refletiu profundamente, e finalmente pareceu perceber onde errara: Esquecera de “sentir o novo espaço”, tentara conduzir o novo sem o menor respeito, apenas com a prepotência de que tudo sabia, pois afinal preparara-se para enfrentar o novo!

Refletiu sobre a palavra enfrentar… Talvez nem tudo tivesse que ser enfrentado, mas reconhecido, experimentado, vivido, sem ideias pré concebidas de quê por serem novos sejam igualmente perigosos… Tomou consciência de eram exatamente esses dogmas que tanto o cansavam no Lago Real, e, quê por esse motivo desejou tanto poder escapar de lá.

Compreendeu que precisava descobrir novos caminhos internos para seguir os próprios sonhos, sem deixar-se sabotar por reflexos fantasmas de dogmas que não mais aceitava, ou acreditava. Percebeu o quanto se deixou derrotar pelos próprios medos, ao ponto de esquecer-se de que morria um pouco a cada ladrilho que contava e recontava no lago real. Finalmente pareceu encontrar dentro dele a resposta para continuar.

Era preciso Sentir o Caminho, e não simplesmente nadar!

Recolheu o que ainda tinha de mantimentos, por que muito fora perdido enquanto ele se debatera para tentar dominar os novos caminhos, mas não se importou com isso, pois estava alimentado da sabedoria de que tinha muito a aprender.

Olhou mais uma vez para o pequeno espaço onde encontrou repouso, e sentiu-se agradecido pelo acolhimento, pelo descanso, pelo sono, pelo sonho que lhe devolvera a coragem e a vida interna.

Íbora percebeu que isso já era uma mudança, por que jamais teria agradecido o acolhimento de algo tão pequeno, muito menor do que a sua cama que ficara no lago real.

Continuou o seu caminho procurando “senti-lo”… Teria que aprender esta nova forma de guiar-se: Sentir o caminho correto era muito diferente de tudo que havia aprendido. Sentir o caminho implicava em entrega, implicava em saber que sabia menos do que imaginava; implicava em compreender que para nadar não era suficiente saber nadar; a prepotência de achar que sabia nadar quase o levara a desistir de aprender novos lugares.

Era quase fácil “sentir o caminho”:

Primeiro respirava-se fundo, depois era necessário deixar de lado certezas obtusas, assumir-se com medo só para depois também deixá-lo de lado; assim como as dúvidas deveriam ser substituídas pelo encanto de novos aprendizados, que mesmo um buraco apertado pôde lhe ensinar. Era preciso aprender, que aprender é mais do que fixar-se naquilo que foi aprendido…

Sentir o caminho implicava em deixar de lado tudo isso e abrir-se para aprender a partir de tudo que já havia aprendido até então. Descobriu que o que aprendemos nos serve como um empurrão para aprendermos mais e mais sobre a vida, e sobre nós mesmos: Respirar fundo, para criar mais coragem, colocar de lado os medos, as dúvidas, os preconceitos, e substituir tudo isso por: Calma, esperança, abertura, e desejo de ir além do que já se sabe.

Íbora começou a nadar segundo as suas recentes descobertas: Sentindo o caminho, e enquanto sentia o caminho, sentia mais e mais integrado; percebia quantas coisas novas estava a aprender, embora ainda não conseguisse elaborar e definir o que aprendia, sabia que isso viria depois, em outros momentos de reflexão e auto avaliação.

Apesar de ainda estar na escuridão apertada, tudo lhe parecia diferente, porque sentir o caminho amplia a percepção de si mesmo e do espaço.  Suas provisões diminuíam, mas ele não se importava. Às vezes lembrava que a sua atual aparência teria causado verdadeiro horror aos habitantes do lago real, mas realmente não se importava com isso. Inexplicavelmente sentia-se mais forte a cada dia, a cada pequeno passo que dava em direção a quebrar as próprias crenças de ser limitado e incapaz de vencer a si mesmo.

Íbora aprendia que a força nascia de algum lugar de dentro dele mesmo; embora ainda não soubesse que lugar era esse, e como chegar até ele quando queria, sabia que esse lugar de força interna chegava até ele sempre que deixasse fluir…

Estava distraído, pensando sobre todas novas experiências, quando pareceu ouvir a voz de seu amigo Líber…

Íbora nem imaginava o caos que se instalara no Lago Real… Cansado depois de tanto ser jogado para todos os lados, e absolutamente confuso com o inesperado turbilhão que enfrentara Íbora não conseguia definir os estranhos sentimentos que afloravam cada vez que se lembrava do amigo, companheiro, instrutor, cúmplice de sonhos.


Encontrou um pequeno e apertado espaço, mas sem correntezas, onde conseguiu acomodar-se para descansar um pouco, pois não havia uma só escamazinha que não estivesse machucada e dolorida, depois de tanto ser jogado, sem o menor controle, nas paredes da tubulação.

Exausto adormeceu… Sonhou com o grande lago tão cheio de cores, de diferentes perfumes, de espaços que pareciam ilimitados, onde não podia avistar nenhuma parede cheia de repetitivos e enfadonhos ladrilhos. Não conseguiria descrever o que via no seu sonho, por que era tudo tão novo, tão diferente, que lhe faltavam palavras no vocabulário dos peixes que pudessem revelar aquilo que ele experienciava.

Esse sonho era tudo que Íbora precisava! Acordou sentindo-se bem melhor. Claro que ainda estava todo machucado, mas aquelas dores lhe pareciam menores diante de tudo o que buscava. Feliz preparou-se para enfrentar o que viesse à frente, por que era mais forte do que nunca a certeza de que havia esse lugar que ele tanto sonhara, e nesse lugar não havia nenhum ralo!

Pensou sobre os erros do dia anterior, e descobriu que quanto mais havia se esforçado para dominar o novo, mais se perdera, e mais se machucara. Refletiu profundamente, e finalmente pareceu perceber onde errara: Esquecera de “sentir o novo espaço”, tentara conduzir o novo sem o menor respeito, apenas com a prepotência de que tudo sabia, pois afinal preparara-se para enfrentar o novo!

Refletiu sobre a palavra enfrentar… Talvez nem tudo tivesse que ser enfrentado, mas reconhecido, experimentado, vivido, sem ideias pré concebidas de que por serem novos sejam igualmente perigosos… Tomou consciência de eram exatamente esses dogmas que tanto o cansavam no Lago Real, e que por esse motivo desejou tanto poder escapar de lá.

Compreendeu que precisava descobrir novos caminhos internos para seguir os próprios sonhos, sem deixar-se sabotar por reflexos fantasmas de dogmas que não mais aceitava, ou acreditava. Percebeu o quanto se deixou derrotar pelos próprios medos, ao ponto de esquecer-se de que morria um pouco a cada ladrilho que contava e recontava no lago real. Finalmente pareceu encontrar dentro dele a resposta para continuar.

Era preciso Sentir o Caminho, e não simplesmente nadar!

Recolheu o que ainda tinha de mantimentos, por que muito fora perdido enquanto ele se debatera para tentar dominar os novos caminhos, mas não se importou com isso, pois estava alimentado da sabedoria de que tinha muito a aprender.

Olhou mais uma vez para o pequeno espaço onde encontrou repouso, e sentiu-se agradecido pelo acolhimento, pelo descanso, pelo sono, pelo sonho que lhe devolvera a coragem e a vida interna.

Íbora percebeu que isso já era uma mudança, por que jamais teria agradecido o acolhimento de algo tão pequeno, muito menor do que a sua cama que ficara no lago real.

Continuou o seu caminho procurando “senti-lo”… Teria que aprender esta nova forma de guiar-se: Sentir o caminho correto era muito diferente de tudo que havia aprendido. Sentir o caminho implicava em entrega, implicava em saber que sabia menos do que imaginava; implicava em compreender que para nadar não era suficiente saber nadar; a prepotência de achar que sabia nadar quase o levara a desistir de aprender novos lugares.

Era quase fácil “sentir o caminho”:

Primeiro respirava-se fundo, depois era necessário deixar de lado certezas obtusas, assumir-se com medo só para depois também deixá-lo de lado; assim como as dúvidas deveriam ser substituídas pelo encanto de novos aprendizados, que mesmo um buraco apertado pôde lhe ensinar. Era preciso aprender, que aprender é mais do que fixar-se naquilo que foi aprendido…

Sentir o caminho implicava em deixar de lado tudo isso e abrir-se para aprender a partir de tudo que já havia aprendido até então. Descobriu que o que aprendemos nos serve como um empurrão para aprendermos mais e mais sobre a vida, e sobre nós mesmos: Respirar fundo, para criar mais coragem, colocar de lado os medos, as dúvidas, os preconceitos, e substituir tudo isso por: Calma, esperança, abertura, e desejo de ir além do que já se sabe.

Íbora começou a nadar segundo as suas recentes descobertas: Sentindo o caminho, e enquanto sentia o caminho, sentia mais e mais integrado; percebia quantas coisas novas estava a aprender, embora ainda não conseguisse elaborar e definir o que aprendia, sabia que isso viria depois, em outros momentos de reflexão e auto avaliação.

Apesar de ainda estar na escuridão apertada, tudo lhe parecia diferente, porque sentir o caminho amplia a percepção de si mesmo e do espaço.  Suas provisões diminuíam, mas ele não se importava. Às vezes lembrava que a sua atual aparência teria causado verdadeiro horror aos habitantes do lago real, mas realmente não se importava com isso. Inexplicavelmente sentia-se mais forte a cada dia, a cada pequeno passo que dava em direção a quebrar as próprias crenças de ser limitado e incapaz de vencer a si mesmo.

Íbora aprendia que a força nascia de algum lugar de dentro dele mesmo; embora ainda não soubesse que lugar era esse, e como chegar até ele quando queria, sabia que esse lugar de força interna chegava até ele sempre que deixasse fluir…

Estava distraído, pensando sobre todas novas experiências, quando pareceu ouvir a voz de seu amigo Líber…

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  1. Daniel Goldman permalink
    31/03/2010 6:12 pm

    Refletiu sobre a palavra enfrentar… Talvez nem tudo tivesse que ser enfrentado, mas reconhecido, experimentado, vivido, sem ideias pré concebidas de que por serem novos sejam igualmente perigosos… Tomou consciência de eram exatamente esses dogmas que tanto o cansavam no Lago Real, e que por esse motivo desejou tanto poder escapar de lá.

    UA,
    DANNY

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