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cap.9 -SOLTEM ESSA CRIANÇA!-Joyce Damy Mobley

25/03/2010

SOLTEM ESSA CRIANÇA! -Joyce Mobley

Um dos maiores peixes, que Íbora sonhara existir, nadou furiosamente em sua direção empurrando-o com tanta força que lhe pareceu ter voltado à saída do ralo do Real Lago Real; a diferença era que invés de ser violentamente tragado, fora violentamente empurrado, mas a sensação física era semelhante!

Aquilo não fazia o menor sentido… Por que brigar por um pedaço de comida quando havia tanto sobrando? Será que no Grande Lago também era necessário brigar por comida? Será que também deveriam esconder e deixar apodrecer só para mostrar quem era mais forte, poderoso, esperto?

Íbora sentiu uma pontada de tristeza, pois imaginara que os costumes fossem menos mesquinhos, e egoístas, dos que aprendera no Lago Real… Suspirou profundamente, e preparou-se para mostrar a sua força. Mais uma vez nadou certeiro e furiosamente em direção ao alimento escolhido!

Outro peixe, ainda maior do que o primeiro empurrou-o para longe, bem longe, do seu alvo. Três outros peixes nadaram em sua direção e o imobilizaram. Íbora tentava inutilmente soltar-se, mas depois de tantos dias de penúria, já não tinha forças o bastante para mover-se.

O maior de todos os peixes, Lufos era o seu nome, parecia muito zangado, e com um vozeirão que fazia estremecer as águas:

– Está maluco? Por acaso quer morrer?!

– Não é essa a minha intenção, respondeu-lhe Íbora, tenho fome e gostaria de comer um pouco.

Os peixinhos que antes brincavam, e muitos outros, aproximaram-se para ver o que acontecia; todos olhavam atônitos! Íbora percebeu, e achou mais estranho ainda, quê olhassem para ele e não para os peixes que o seguravam muito menos para Lufos que vociferava insistindo no mesmo ponto:

– Você quer morrer?!

– Não senhor!Quero apenas comer…

– E com tantas coisas para comer, seu peixinho inconsequente, por que você escolhe justamente uma isca?!

Enquanto piscava e pensava e sufocava com tantos peixes que o imobilizavam, Íbora tentava recordar de alguma lição sobre iscas. Por mais que se esforçasse não havia nenhuma vaga ideia do que fosse uma isca… Talvez tivesse perdido essa aula, enquanto contava ladrilhos no Lago Real…

Como não encontrasse nenhuma resposta, timidamente perguntou:

– O que é uma isca? Acho que não existem iscas no Lago Real, ou talvez eu tenha faltado essa aula…

Lufos interessou-se imediatamente! Já havia ouvido falar em lagos, porém nunca conhecera pessoalmente, ou peixemente, alguém que houvesse vivido em um lago. Por alguns segundos Lufos não sabia se explicava o que eram iscas, ou se perguntava sobre a vida nos lagos. Como não conseguisse decidir, gritou:

– Soltem essa criança! Alguém vá buscar algo que ele possa comer, pois não parece estar bem o bastante para falar qualquer coisa, ou mesmo para compreender o que é uma isca!

Soltaram-no tão rapidamente que Íbora chegou a afundar meio metro, não sabia se de susto, ou por não haver mais ar no seu pulmão! Respirou gostosamente, e só então nadou meio metro acima para encontrar-se com Lufos.

Íbora preparava-se para fazer milhões de perguntas, mas viu quando vários peixinhos, daqueles que com ele brincaram de embolar nas águas, chegavam com várias iguarias! Calou-se imediatamente, ou melhor: calou seus pensamentos por que seu estômago assim exigiu!

Comeu um pouco de várias coisas, mas não muito, por saber que depois não conseguiria digerir tanto alimento… Íbora também aprendera a sentir o tamanho das suas necessidades.

Lufos o observava silenciosamente, e, quando percebeu que o estranho peixinho estava saciado, pediu que o levassem para um lugar calmo onde Íbora pudesse descansar, pois o seu cansaço e sonolência eram evidentes, e mais prementes do que quaisquer explicações, ou curiosidades.

Íbora deixou-se levar, feliz, satisfeito, exausto, e com uma pontadinha de saudade de quando era criança e sua mãe o colocava na cama, no seu quarto, lá no Lago Real…

Lembranças antigas, menos antigas do que lhe pareciam, misturavam-se aos novos estímulos, fazendo com que nosso amigo tivesse dúvidas de que realmente estivesse acordado… Talvez isso tudo fosse apenas mais um sonho…

A-hammm,

Joyce Mobley

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