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Gota e Oceano-Joyce Damy Mobley

01/04/2010

Construímos quem somos, e o que vivemos, a cada segundo. Nossas escolhas, e até, ou principalmente, as nossas “não escolhas”, determinam o nosso presente, e o nosso futuro. Omitir-se diante da vida, e da própria vida, é um péssimo caminho: é o “não caminho” que implica em todas as consequências das quais ousamos nos sentir vítimas. Na vida somos todos atores principais.

Cresci em uma família pouco convencional: Nunca falávamos a mesma língua (literalmente), e, até hoje, me é quase impossível deixar de misturá-las; perceber em que língua estão a falar; deixar de inverter frases; mostrar aquilo que sinto em apenas um idioma… As palavras são envoltas em sentimentos, sensações, lembranças, significados, e as sinto com mais verdade se forem pronunciadas na língua em que ganharam vida dentro de mim.

Pouco convencional também, era a mistura de crenças e religiões: Minha mãe era espírita; minha avó era católica (mas como era filha de uma índia linda, também praticava rituais com a natureza, que, penso, não faziam parte dos rituais da igreja). Meu avô era zen budista, e meu pai dizia que Deus era um tecnocrata… Nunca entendi isso muito bem: o que é um tecnocrata, e o que seria um Deus tecnocrata?

Nos era permitido “sermos levados” a diferentes cultos religiosos. Acho que as pessoas queriam nos mostrar um caminho, principalmente D. Davi Picão, Bispo de Santos, quando eu lá morava… O que mais me intrigava era o fato de todos acharem que o “seu” caminho era o único e verdadeiro caminho que levaria à salvação, ou a Deus.

Invariavelmente diziam que Deus era único, mas o Deus deles era mais único do que o Deus das outras pessoas… Com o tempo comecei a pensar que Deus não depende das mais diversas patentes de: O Verdadeiro Deus. Quanto mais eu via as guerras religiosas, de ontem, de hoje, e, infelizmente, as de amanhã, mais crescia a certeza de que:

AQUILO QUE É NÃO PRECISA DA NOSSA CRENÇA, OU PERMISSÃO, OU RESPEITO, OU ACEITAÇÃO, PARA CONTINUAR A SER… SIMPLESMENTE É!

Somos muito mais, e também muito menos do que nos supomos. Somos ínfimos diante do que podemos ser…

Quando eu tinha 17 anos, Doro Ortiz, filósofo, terapeuta, e um dos fundadores da Universidade da Paz, me disse que eu era responsável por tudo o que acontecia no mundo. Na minha imaturidade respondi que ele era mais maluco do que eu podia imaginar. Ele riu, é claro, e me disse que o dia em que eu compreendesse essa realidade estaria abrindo infindáveis portas.

De tempos em tempos aquele pensamento retornava, e então eu o guardava novamente, em algum lugar da minha memória, porque aquelas palavras ainda não faziam sentido. Cinco anos depois, assistindo a um programa sobre a vida no mar, senti a veracidade do que ele me havia dito.

Quando o programa parecia terminar, pegaram uma só gota do mar e a ampliaram num laboratório. Vi que havia vida naquela gota, vida muito semelhante àquela que mostraram no oceano: mini tubarões, peixes, vida! Imediatamente me dei conta de que eu poderia ser apenas uma gota, ou um oceano. Percebi mais: eu era a gota e também o oceano! Finalmente compreendi o significado de ser responsável por tudo o que acontece no universo!

Senti que Deus é gota e oceano. Compreendi que Ele não precisa da minha crença, e nem da sua, para existir… Aquilo que É prescinde da crença da humanidade para continuar a SER.

Ser gota e oceano tem sido a minha postura diante da vida, diante do outro, diante de mim mesma, diante dos meus filhos, diante da humanidade, diante do universo…

Não batizei meus filhos, que têm: 29; 26; e 22 anos. Não os batizei porque Deus os criou, e não ousei questionar a Sua capacidade de fazê-los perfeitos.

Não questionei, mas procurei fazer com que eles não se esquecessem de que são gota e oceano

As crianças nascem perfeitas, e, talvez, o nosso trabalho seja o de cuidar para que assim permaneçam. Educá-las sem nunca perder de vista a essência divina que representam nesta vida.

Esta é a única oração que ensinei aos meus filhos:

Com Deus me deito.
Com Deus me levanto.
Please, Deus, quando eu fechar os meus olhinhos
Deixe os Seus bem abertos pra cuidar de mim.

Ser responsável por nossos atos, escolhas, não escolhas, e o que isso representa para o universo, é a ORAÇÃO, é o VERBO.

A-hammm

Joyce Mobley

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4 Comentários leave one →
  1. 01/04/2010 3:28 am

    MUITAS VEZES USO MEUS COMENTÁRIOS COMO ANOTAÇÕES DE RODAPÉ. MÚSICA E LETRA COMPLETAM O TEXTO,
    Abraços de brisas perfumadas.
    A-hammm,
    Joyce Mobley

    TRADUÇÃO DE SOMEDAY – CELTIC WOMAN

    Um dia, quando formos mais sábios
    Quando o mundo for mais maduro
    Quando tivermos aprendido
    Rezo para que um dia possamos talvez
    Simplesmente viver e deixar viver

    Um dia, a vida será justa
    A miséria será rara
    E a ganância não será recompensada
    Queira Deus que esse seja um brilhante milênio
    Por esse caminho, isso acontecerá um dia

    Um dia nossa luta será ganha, e
    Estaremos em pé sob o sol, numa
    Tarde brilhante
    Até lá, quando os dias ensolarados
    Chegarem, nós agüentaremos firmes
    Se fizermos um pedido a Lua

    Existem certos dias, escuros e amargos
    Em que parece não adiantar rezar
    Mas rezar por algo melhor
    É a única coisa que todos podemos compartilhar

    Um dia, quando formos mais sábios
    Quando o mundo todo amadurecer
    Quando tivermos amor
    E eu rezo para que um dia possamos
    Simplesmente viver e um dia, algum dia
    Um dia a vida será mais justa
    A miséria será rara
    E a ganância não será recompensada

    Deus queira que esse seja um brilhante milênio
    Isso acontecerá
    Se fizermos um pedido a Lua

    Um dia, algum dia… Em breve

  2. Rätsel Ewig permalink
    01/04/2010 3:23 am

    Sempre que venho aqui, perco-me. Sempre acho algo interessante, e fica difícil escolher um só. É como um loop que se prolonga eternamente: quanto mais leio, mais tenho para ler. E agradeço muito por isso, por suas palavras sábias que me ensinam muito mais do que o que eu aprenderia sozinho em muitos anos. É uma sensação incrível reconhecer a verdade e a sapiência nas palavras de outrem. Todo o texto fala comigo, palavras verdadeiras, profundas.
    E com este comentário longo, deixo aqui minha sincera admiração,
    Ewig

    • 01/04/2010 3:57 am

      Ewig querido, que palavras sensíveis e gostosas de sentir…
      Faço um tremendo esforço para “combinar” com o mundo e assustar um pouquinho menos do que costumo assustar as pessoas. É um carinho que você me faz e não vou esquecer deste momento, pois é a primeira vez que posto este texto e sinto que o retorno é como imaginava. Comecei tudo muito cedo na vida e já vivi mais vidas do que suporia em uma só vida. Hoje estou mais sensível do que meu usual, que já é um exagero. Vou saindo de fininho porque chorar dá rugas e não pretendo fazer uma plástica tão cedo. Há que se ter essência, e você tem, para deixar que as palavras falem dentro, no centro.
      Um abraço de brisas perfumadas de carinho,
      Joyce Mobley

  3. 01/04/2010 3:20 am

    CELTIC WOMAN
    SOMEDAY

    Someday, when we are wiser
    When the world’s older
    When we have learned
    I pray someday we may yet
    Live to live and let live
    Someday, life will be fairer
    Need will be rarer
    And greed will not pay
    Godspeed, this bright millenia
    On it’s way, let it come someday
    Someday our fight will be won, and
    We’ll stand in the sun, in
    That bright afternoon
    ‘Til then, on days when the sun
    Is gone, we’ll hang on
    If we wish upon the moon
    There are some days, dark and bitter
    Seems we haven’t got a prayer
    But a prayer for something better
    Is the one thing we all share
    Someday, when we are wiser
    When the whole world is older
    When we have love
    And I pray someday we may yet
    Live to live and one day, someday
    Someday life will be fairer
    Need will be rarerAnd greed will not pay
    Godspeed this bright millenia
    Let it come
    If we wish upon the moon
    One day, someday….soon

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