Skip to content

cap.35- ÍBORA E YSTRELA – OLIVER BRANCH?

05/04/2010

Íbora e Ystrela – Oliver Branch? – Joyce Mobley

Ystrela batia as barbatanas  evidenciando assim a sua irritação…

Havia muito tempo que ela viajava pelos rios, mas dificilmente encontrara peixinho tão malcriado quanto aquele. Não sabia nem brincar! Imagine ficar tão irritado porque ela lhe perguntara a idade? Se ele não tivesse sido tão ríspido ela teria continuado a brincadeira, e lhe perguntaria se viajava só havia muito tempo…

Sim, porque ela mesma estava em uma jornada e separara-se do pequeno grupo ao qual se unira, há tanto tempo, que adquirira a estranha mania de falar consigo mesma em voz alta.

Nem mesmo ela sabia explicar se era para quebrar a quietude, que chegava a lhe causar zumbidos nos tímpanos, ou se para melhor ordenar os seus caminhos, e aprendizados, enquanto fazia planos para chegar ao Grande Lago.

Claro que ela já aprendera que o Grande Lago tratava-se do mar, que era composto de vários oceanos, mas agradava-lhe a sensação de ainda chamá-lo de Grande Lago…

Havia algo de mágico em “Grande Lago”; algo que lhe relembrava do aconchego do lar e, ao mesmo tempo, do incontrolável desejo de viver outras aventuras; diferentes do que lhe eram permitidas, ou exigidas, em ser lar de origem.

O sotaque daquele peixinho impertinente lembrava-lhe alguma coisa, mas algo tão antigo, que não percebia bem o que era… Também, nem importava! Ele que fosse para onde quisesse e que falasse com pedras, margens sufocantes; que conversasse com anzóis, e ela nem se importava!

Íbora, por sua vez, resmungava, quando percebeu que estava mesmo a resmungar em voz alta… Parece que isso havia se tornado um costume, e não apenas uma maneira de coordenar os pensamentos ao ouvir o som da própria voz…

Talvez ela tivesse um pouquinho de razão; mas, era tão intrometida, tão cheia de perguntas e tinha esse péssimo costume de dizer quê ele disse algo que – na verdade- não dissera! Imagine: Diz Plante?

E, o pior? O pior é que ela ficou ali a repetir “plante” e olhando para ele como se fosse maluco! Maluca era ela! Mas, que peixinha impertinente e malcriada! Insuportável!

Imagine só ter que passar mais do que três horas em sua companhia? Vai ver ela também chamava seus pais de “mamis” e “papis”; coisa mais irritante!

Íbora sacudia a calda com tanta impaciência, que a todo o momento precisava nadar um pouquinho para retornar ao lugar onde estavam…

Sua vontade era a de lhe virar as costas e partir, mas se o fizesse ela diria à mamis e papis… Essa não era uma boa escolha para apresentar-se em uma nova comunidade!

Ystrela, por sua vez, já estava um tanto cansada de vasculhar aquele lugar deserto, em pleno rio, e poderia desfrutar de companhia, mesmo que fosse um peixinho atrevido, e malcriado como Íbora.

Com certo esforço talvez pudessem somar, para além de brigar! Ela pensava se ele tinha idéia de onde estavam, mas percebia que ele sabia menos do que ela!

Ao mesmo tempo, para quebrar o gelo, disseram:

– Como é o seu nome?

Sorriram juntos, e novamente disseram ao mesmo tempo:

– Você primeiro…

Sem que soubessem, tiveram o mesmo pensamento: melhor dizer logo o meu nome antes que comecemos outra briga sem sentido:

– Ysbotrela – foi o que compreenderam, e desta vez riram de verdade!

– Ystrela

– Íbora

E juntos:

– Prazer em conhecê-lo (a)

Sorriram, e silenciaram… Ambos tentavam rebuscar em suas memórias o que havia de familiar, não apenas em seus nomes, mas… Parecia haver algo mais que precisavam recordar…

– Seu sotaque não me é estranho, disse Ystrela.

– Como assim?

– A maneira como você pronunciou desplante, e que me fez deduzir que houvesse dito diz plante, e eu disse…

– É, você disse, e como disse!

Ambos começaram a rir da maneira como se conheceram, e da irritação inexplicável que provocaram no outro.

– Peço-lhe que me perdoe, pois acho que eu comecei, embora não fosse o meu desejo, uma discussão absolutamente dispensável.

Íbora, por sua vez:

– Sou eu quem deve lhe pedir que me perdoe, visto quê fui extremamente descortês.

– Um Oliver Branch, aceita? Perguntou Ystrela.

A-hammm,

Joyce Mobley

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: