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cap.36 -Íbora; Ystrela; Yargo, e Ysla – Joyce Mobley

07/04/2010

Íbora piscou, piscou… A última vez que ouvira essa expressão “Oliver Branch”, que significa uma trégua, oferta de paz,  fora no Real Lago Real…

Estranha essa peixinha, e mais estranho quê cada vez lhe fosse  tão familiar; não pelo fato de pertencerem à mesma espécie, mas alguma outra coisa que não sabia definir, e então:

– Devemos nos unir ao restante da comunidade? Seus pais já devem estar preocupados, pois estamos  – entre silêncios e discussões – enfim, estamos distantes da comunidade  há horas. Como não vejo nada por perto, imagino que teremos um bom caminho até chegarmos…

Ystrela interrompeu-o:

– Eu tinha certeza que você estava perdido!

– Não acredito Ystrela, pois se é você quem mora aqui, e não sabe como retornar à comunidade, então deve estar muito mais perdida do que eu. Afinal, estou acostumado a viajar, a aventurar-me!

Íbora não sabia dizer por que falara, mais uma vez, de forma tão ríspida. Ia desculpar-se, mas não houve tempo!

– Peixinho presunçoso e insuportável! O que o faz deduzir que desejo voltar para casa? Que haja alguma comunidade; ou que eu esteja perdida?

– Desculpa, desculpa, desculpa, disse Íbora- deveras envergonhado de suas precipitadas conclusões.

– Muito bem, devo me apresentar de forma adequada: Sou Ystrela do Real Lago Real Buscadora do Grande Lago Sem Margens; e você, quem é?

Íbora mal acreditava no que acabara de ouvir… Como era possível?

– Sou Íbora do Real Lago Real Buscador do Grande Lago Sem Margens!

Entreolharam-se sem  acreditar no que acabaram de ouvir! Aos poucos as lembranças foram voltando…

– Você é Íbora o contador de ladrilhos?

– Sim, sou eu! E completou: Você é Ystrela, a menina que não parava quieta e nadava de um lado para o outro do Real Lago Real?

– Sim, sou eu!

– Mas, o que você faz aqui, e sozinha?

– Recorda-se do Senhor Líber?

– Claro, disse Íbora, como poderia esquecer o meu grande amigo?

– Certa vez ouvi vocês dois falando sobre o Grande Lago Sem Margens, e, como não aguentava mais aquela vida, tão limitante, decidi que também escaparia do Real Lago Real!

E continuou:

– Sempre que você e Líber conversavam alguns amigos, amigas, e eu, ouvíamos, foi assim que também nos preparamos para partir…

– Comigo?

– Claro que não, Íbora, mas logo depois que você passasse pelas grades, faríamos o mesmo. Sabíamos que você desejava ir só, e que o Senhor Líber se oporia à aparente fuga em massa… Estávamos preparados, e sairíamos uma hora depois que você partisse, e assim o fizemos.

– Fizemos? Quem fizemos?

– Ynês, Ícaro, Iargo, Ysla, e eu… Infelizmente Ícaro encostou-se em um dos canos quentes, e derreteu suas barbatanas… Passamos algum tempo tentando curá-lo, mas como você sabe os canos não são muito limpos, tampouco oferecem o conforto que Ítalo necessitaria para recuperar-se…

– É uma lástima, disse Íbora…

– Sim, foi uma perda muito triste, e muito dolorida para todos nós, especialmente para o próprio Ítalo… O que tornava tudo menos triste era a alegria, que mesmo mortalmente ferido, ele sentia por haver escapado do Real Lago Real… Ystrela sorriu tristemente.

– E onde estão Ynês, Iargo, e Ysla?

– Ainda dentro das tubulações resolvemos virar para um dos canos, que nos levariam para o lado esquerdo… Como não conhecíamos a saída, qualquer lado poderia ser uma opção.

– Eu segui sempre em frente, disse Íbora, e completou –  onde vocês foram parar ao seguir a tubulação que virava à esquerda? Sempre fiquei curioso sobre onde daria esse caminho.

– Por um tempo vivemos em espécie de Lagoa do rio, um lugar agradabilíssimo, de águas calmas e temperadas. Conhecemos muitos outros peixes, de outras espécies. Lá havia uma cachoeira, que nos proporcionava uma massagem deliciosa, depois de tantos dias retorcidos nas tubulações.

– Imagino o quanto deve ter sido difícil, pois pelo que você conta sobre o acidente de Ícaro, vocês devem ter passado muito mais tempo do que eu, dentro daquelas terríveis e desconfortáveis tubulações, disse Íbora.

– É verdade, disse Ystrela com os olhos perdidos em ontem.

– Onde estão os outros?

– Presumo que você seja o Mestre Íbora, de que tanto nos falaram, em particular, Lufos, na curva do rio onde moramos por um longo tempo depois da sua partida!

– Mestre Íbora… Assim me chamavam, mas como você também viveu por lá, deve saber que todos somos mestre, acredito que você deva ser Mestra Ystrela!

Ambos riram-se do quanto era fácil ser sábio dentro de pequenos universos, e pelo o simples fato de haverem vindo do Real Lago Real, já lhes proferia o título de Mestre; não desmerecendo tudo o que aprenderam durante a aventura. Íbora interrompeu o silêncio:

– E como está Mestre Lufos, não quis acompanhá-los?

– Não, Íbora, não quis nos acompanhar, e,  Ynês,  lá permaneceu; não nos acompanhou. Acredito que Ynês, e Lufos, tenham criado laços mais fortes do que a amizade.

– Sim, entendo… Afinal, quase sempre encontramos aquilo que sonhamos, e buscamos, quando não nos afastamos de nós mesmos e de nossos desejos. Era nítido que Lufos sonhava com uma família… Por esse motivo não queria afastar-se da curva do rio, estava à espera de Ynês, e nem sabia…

– Concordo com você; é o que também sinto… Igualmente não percebia em Ynês  o desejo de chegar ao Grande Lago; seu verdadeiro sonho era o de  renovar a vida. Escapar do Real Lago Real, que também a sufocava.

– E onde estão Iargo e Ysla? Perguntou Íbora.

– Separamo-nos alguns quilômetros atrás, pois parece que caímos num dos tais dos desvios dos rios, desvios que os homens criam para as mais diferentes coisas.

Ystrela continuou:

– Estamos a tentar encontrar uma saída que nos leve até algum rio que não esteja poluído, ou semi-destruído pelos humanos. Precisamos tomar cuidado, porque isto mais se parece com um labirinto que não faz sentido… É difícil compreender os desvios que os humanos fazem, porque não parecem naturais, e não o são.

– Você está perdida, Ystrela?

– Lá vem você, Íbora! Olhe bem para mim e veja se tenho cara de quem se perde?

Íbora a olhou longamente, e de fato, não parecia nada frágil, nada perdida, para, além disso, era bonita… Este pensamento o atrapalhou um pouco, mas respondeu:

– De fato, não se parece com uma peixinha desamparada e perdida, muito pelo contrário!

Ystrela, que não percebeu o olhar de Íbora, disse:

– Isso mesmo! Saiba que encontrei a saída para um rio não poluído! Estava voltando para o ponto de encontro (está expressão fora incorporada por todos que passaram pela curva daquele rio tão aconchegante e amigável) quando o encontrei falando sozinho… Ambos tamparam na gargalhada.

Ystrela continuou:

– Um pouco distante daqui podemos encontrar comida saudável e, se você quiser, pode descansar um pouco antes de nos encontrarmos com Iargo e Ysla… Presumo que você vá nos acompanhar…

– Sim, claro -disse Íbora – feliz com a possibilidade de seguir com novos amigos e que tivessem em comum o desejo de encontrar o Grande Lago!

A-hammm,

Joyce Mobley

:: Nota de rodapé  sobre a escolha da música nos comentários.

Abraços de brisas perfumadas…

Joyce Mobley

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3 Comentários leave one →
  1. 09/11/2010 8:29 pm

    YSLA
    YSLA

    • 09/11/2010 10:14 pm

      KIFOI
      KIFOI
      Não fui eu
      Eu não fiz nada 😛

  2. 07/04/2010 12:25 am

    Escolhi Minueto de Luigi Boccherini por duas razões diferentes: Por que adorava dançá-lo, e por que representa exatamente este encontro entre amigos que vêm do Real Lago Real trazendo em seus corações um só desejo e o mesmo sonho. Nada melhor para sentir, perceber, disciplinar, do que a dança, a música… Se queres ser bom em alguma coisa… É preciso disciplinar o corpo a alma a mente e os ouvidos.
    A-hammm,
    Joyce mobley

    Minueto ou Minuete é uma dança em compasso de 3/4, de origem francesa, ou uma composição musical que integra suítes e sinfonias.
    O nome significa “dança de passos miúdos” (menus). De origem aristocrática, o minueto se tornou muito popular no século XVIII. Tornou-se hábito dos compositores incluírem minuetos nas suas obras instrumentais em forma de sonata, incluindo-se sinfonias e peças de música de câmara. Embora originalmente fosse uma dança elegante e graciosa, este rótulo às vezes é enganoso. O minueto da Sinfonia no. 40 de Mozart, por exemplo, nada tem de elegante nem gracioso, mas exprime um grande sentimento de angústia.
    Entre os compositores que se destacaram nesta forma, encontram-se Bach, Haydn, Mozart, Beethoven, Paderewski.
    Referência: http://pt.wikipedia.org/wiki/Minueto

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