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cap.37-Tempo? Tempo! Tempo… Joyce Mobley

09/04/2010

Íbora ficara feliz com a possibilidade
de seguir com novos amigos, que tinham em comum o desejo de encontrar o Grande Lago!


Nosso peixinho lembrava-se de quando, ainda nas tubulações, sonhara com Líber que lhe dizia para aquietar seu coração, pois encontraria outros que também estavam na mesma busca; buscar é começar e começar é encontrar… Fora isso que Líber lhe dissera quando já perdia as esperanças? Quanto tempo se passara desde lá?

Tempo… Tempo! Tempo?

Talvez tempo não fosse tão importante quanto parecia ser… Importava mesmo quanto tempo se passara? Não… Para Íbora o que importava era o quanto, ou quantos universos percorrera dentro de si mesmo até chegar a este ponto da sua história.

Algumas vezes, de fato, sentira-se um pouco só… O mais próximo que chegara de encontrar outros peixes que sonhassem os mesmos sonhos, fora com Inkié-tus, mas ele ainda era uma criança que haveria de percorrer os próprios caminhos, as próprias aventuras.

Lembrava-se de que por muito pouco não fora para o Grande Lago acompanhando Telê-maco; não seria o mesmo… Seria quase uma traição para consigo mesmo, pois a forma, os motivos, os caminhos escolhidos para atingir os seus objetivos fariam toda a diferença!

Não havia garantias de que algum dia fosse chegar ao Grande Lago; tampouco, que houvesse estado mais perto de alcançá-lo do que naquele momento – em Ítaca – mas não seria o mesmo.

Alcançar um sonho é importante, mas não tão importante quanto os caminhos escolhidos para realizá-lo… Neste ponto de seus pensamentos, Íbora soltou um grande suspiro!

– Que suspiro é esse? Perguntou Ystrela

– É um suspiro de paz, respondeu-lhe Íbora.

– Conheço esse suspiro… Disse Ystrela, e continuou:

– Em mim, esse suspiro se dá por paz, por coerência… Algo que não é muito fácil de explicar, mas pode acontecer até mesmo em meio às maiores confusões… Ao menos sei que estou nas confusões por escolha minha e isso, para mim, é muito importante.

Por alguns segundos Íbora reviu mentalmente sua amiga no Real Lago Real e a maneira como ela nadava de um lado para o outro… Agora isso parecia fazer sentido; o que não fazia sentido era que lá atrás no tempo ele não pudesse perceber que Ystrela, Iargo, Ícaro, Ysla, sonhassem os mesmos sonhos que ele.

Por que deixara escapar a possibilidade de percorrer todos os caminhos com amigos que realmente compartilhavam do mesmo desejo? Então perguntou:

– Ystrela, por que vocês não se aproximaram de mim? Por que não disseram que também desejavam encontrar o Grande Lago?

– Nós tentamos, Íbora, todos nós tentamos…

– E?

– Você estava tão envolvido com o seu sonho de encontrar um lago sem margens que parecia não ter energia, ou vontade, ou ouvidos, para aceitar que outros pudessem desejar o mesmo…

Íbora pensou por certo tempo antes de responder:

– Acho que eu estava tão apaixonado pelo meu sonho que não conseguia compartilhá-lo… Talvez eu me sentisse especial por sonhar sozinho… Um desbravador, um peixe diferente de todos os outros… Mesmo sabendo através de Líber, que ele mesmo planejara atravessar as grades,e  mesmo sabendo que um amigo dele o havia feito, sentia-me especial em ser o único da nossa geração a estar sonhando além…

Ystrela riu e disse:

– A-hammm, você está apenas confirmando as minhas suspeitas!

– Que suspeitas?

– De que você era, e  é um peixinho muito do metido à besta!

Íbora e Ystrela riram muito (ainda bem porque por um momento pensei que eles fossem começar a brigar de novo!)

Enquanto conversavam, riam, e recordavam-se de pequenos detalhes do passado, nossos amigos nadavam em direção ao ponto marcado para unirem-se à Ysla e Iargo. Algumas horas depois:

– Ysla, Iargo, que delícia vê-los bem! Lembram-se de Íbora, Mestre Íbora?

Nosso peixinho sorria um tanto constrangido, pois não deixava de pensar no quanto fora bobo ao planejar uma fuga tão especial e ignorar aqueles que pudessem desejar o mesmo que ele…

Como a vida é incrível, pensava, como a vida nos oferece tantas surpresas! Fugira só, e apenas uma hora depois quatro amigos percorreram os mesmos caminhos que ele… Não exatamente os mesmos caminhos, mas partiram em busca dos mesmos sonhos, percorreram inúmeros caminhos e agora ali se encontravam!

Abraços de brisas perfumadas.

A-hammm Joyce Mobley

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3 Comentários leave one →
  1. Paulinha permalink
    09/04/2010 1:39 pm

    Alcançar um sonho é importante, mas não tão importante quanto os caminhos escolhidos para realizá-lo…

    Joyce,acabei de descobrir que não há nada mais gratificante do que olhar para tras e ver o tanto de limitações que tivemos mas mesmo assim não foi impecilho para realizar um sonho e também manter essa realização acesa.vc me entendeu?

    Das coisas que aprendi foi realmente isso que destaquei do capítulo.

    Bjos

  2. 09/04/2010 2:50 am

    “Anywhere is” é uma expressão repleta de significados para mim…. Talvez por haver viajado muito, morado em muitos lugares, vir de culturas muito diferentes entre si e aprendido a coexistir entre elas, bem mais do que nelas; Anywhere is significa que qualquer lugar é um lugar para mim desde que exista amor. Não me sinto pertencendo a nenhum lugar, mas bem que gostaria…
    Escolho esta música para acompanhar este capítulo… Time? time! Time… Whatever, anywhere is!

    ANYWHERE IS – ENYA

    Eu percorro os labirintos dos momentos
    Mas para qualquer lugar que eu me volto
    Começa um novo começo
    Mas nunca se encontra um final.
    Eu caminho para o horizonte
    E lá eu encontro um outro [começo].
    Tudo parece tão surpreendente
    E então eu descubro que sei.

    Coro:
    Você vai até lá, você se foi para sempre.
    Eu vou até lá, vou perder meu caminho.
    Se nós permanecermos aqui, não estaremos juntos
    Em qualquer lugar está…

    A lua sobre o oceano
    É arrebatada ao redor em movimento,
    Mas sem jamais saber
    A razão de seu curso.
    Em movimento sobre o oceano,
    A lua ainda continua se movendo,
    As ondas ainda continuam ondulando,
    E eu ainda continuo avançando…

    Coro

    Eu me pergunto se as estrelas indicam
    A vida que é para ser minha.
    E elas deixariam que sua luz brilhasse
    O suficiente para que eu seguisse?
    Eu levanto os olhos para os céus
    Mas a noite tornou-se nublada acima.
    Nenhuma centelha de constelação,
    Nem Vela, nem Órion. [1]

    As conchas sobre as areias quentes
    Têm trazido de suas próprias terras
    O eco de suas histórias.
    Mas tudo que ouço são sons baixos
    Como se palavras no travesseiro estivessem se entrelaçando
    E as agitações de salgueiros estivessem dando folhas.
    Mas eu deveria estar acreditando
    Que estou apenas sonhando ?

    Coro

    Para abandonar a linha de todo o tempo
    e deixar que se torne um risco escuro,
    Com esperanças que eu ainda possa encontrar
    O caminho de volta ao momento [que]
    Eu tomei o desvio e me virei
    Para começar um novo começo.
    Ainda procurando pela resposta
    Não consigo encontrar o final.
    É este ou aquele caminho,
    Poderia estar na imagem dos momentos
    É um caminho ou o outro.
    Deveria ser uma direção,
    O desvio que eu acabei de tomar,
    O desvio que eu estava fazendo.
    Eu poderia estar simplesmente começando
    Eu poderia estar perto do final…

  3. 09/04/2010 2:21 am

    ANYWHERE IS – ENYA

    I WALK THE MAZE OF MOMENTS
    BUT EVERYWHERE I TURN TO
    BEGINS A NEW BEGINNING
    BUT NEVER FINDS A FINISH
    I WALK TO THE HORIZON
    AND THERE I FIND ANOTHER
    IT ALL SEEMS SO SURPRISING
    AND THEN I FIND THAT I KNOW
    YOU GO THERE YOU´RE GONE FOREVER
    I GO THERE I´LL LOSE MY WAY
    IF WE STAY HERE WE´RE NOT TOGETHER
    ANYWHERE IS
    THE MOON UPON THE OCEAN
    IS SWEPT AROUND IN MOTION
    BUT WITHOUT EVER KNOWING
    THE REASON FOR ITS FLOWING
    IN MOTION ON THE OCEAN
    THE MOON STILL KEEPS ON MOVING
    THE WAVES STILL KEEP ON WAVING
    AND I STILL KEEP ON GOING
    YOU GO THERE YOU´RE GONE FOREVER…
    I WONDER IF THE STARS SIGN
    THE LIFE THAT IS TO BE MINE
    AND WOULD THEY LET THEIR LIGHT SHINE
    ENOUGH FOR ME TO FOLLOW
    I LOOK UP TO THE HEAVENS
    BUT NIGHT HAS CLOUDED OVER
    NO SPARK OF CONSTELLATION
    NO BEAR AND NO ORION
    THE SHELLS UPON THE WARM SANDS
    HAVE TAKEN FROM THEIR OWN LANDS
    THE ECHO OF THEIR STORY
    BUT ALL I HEAR ARE LOW SOUNDS
    AS PILLOW WORDS ARE WEAVING
    AND WILLOW WAVES ARE LEAVING
    BUT SHOULD I BE BELIEVING
    THAT I AM ONLY DREAMING
    YOU GO THERE YOU´RE GONE FOREVER…
    TO LEAVE THE THREAD OF ALL TIME
    AND LET IT MAKE A DARK LINE
    IN HOPES THAT I CAN STILL FIND
    THE WAY BACK TO THE MOMENT
    I TOOK THE TURN AND TURN TO
    BEGIN A NEW BEGINNING
    STILL LOOKING FOR THE ANSWER
    I CANNOT FIND THE FINISH
    IT´S EITHER THIS OR THAT WAY
    IT´S ONE WAY OR THE OTHER
    IT SHOULD BE ONE DIRECTION
    IT COULD BE ON REFLECTION
    THE TURN I HAVE JUST TAKEN
    THE TURN THAT I WAS MAKING
    I MIGHT BE JUST BEGINNING
    I MIGHT BE NEAR THE END

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