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cap.38- Construindo Relações – Joyce Mobley

10/04/2010


– Seja bem vindo, Íbora, disse Iargo, e completou: Finalmente uma companhia masculina para ajudar-me a aguentar as incompreensíveis conversas do mundo feminino!

Todos se recordaram de Ícaro; não compartilharam a recordação, pois algumas vezes não é preciso dizer nada…

A energia criada em torno de uma lembrança amada dispensa palavras, e nossos quatro novos – antigos amigos já aprenderam essa lição desde que romperam a primeira de muitas grades…

Como se houvessem pensando alto, Ysla disse:

– Aquela primeira grade, a grade do Real Lago Real, talvez tenha sido a mais fácil de atravessar, porque era mais óbvia, era sólida, era uma grade que podíamos tocar, desejar atravessar, odiar que ela existisse…

Íbora completou:

– As grades internas são mais difíceis de serem atravessadas. Tenho me deparado com elas muitas vezes; parecem trocar as vestes, mas são  exatamente as mesmas grades internas…

– Não são EXATAMENTE as mesmas, Íbora, sua impaciência faz com que você assim perceba. Nossas grades internas tornam-se mais frágeis cada vez que as transpomos, disse Iargo.

– Tá, tá, tá, blá blá blá, disse Ystrela que já estava cansada de tanta conversa e queria mais ação.

– Lá vem ela, disse Ysla, blá blá blá, o quê?

– Quero saber o que cada um de vocês encontrou, e se já sabem como sair daqui.

Íbora olhou para Ystrela e por pouco não contou aos outros que ela já encontrara a saída, mas recebeu um olhar de cala-te boca, e de tão cansado de ouvir “cala-te” nos últimos tempos, resolveu compreender o olhar só para não ter que ouvir!

– Infelizmente não temos boas notícias, disse Iargo.

– Fale por você mesmo, retrucou Ysla.

– Peixas… Enfim, o que encontrei foi uma saída clandestina de esgoto para o rio!

Ysla riu para valer e completou:

– Vocês não imaginam o cheiro que impregnou Iargo, e quantos banhos de hidromassagem de cachoeiras ele teve que tomar até que ficasse com o seu natural cheiro ruim!

– PEIXAS! Disseram Íbora e Iargo ao mesmo tempo em que trocavam um olhar de: peixo para peixo…

– E você, Ysla? Perguntou Ystrela.

– Segui conforme planejamos, mas alguns quilômetros à frente deparei-me com uma barreira criada pelos humanos, parece que a utilizam para represar água…

E continuou o relato:

– Não compreendi o motivo de represarem água, mas constatei que por lá não há saídas. O máximo que conseguiremos será cair num lago, quando eles abrirem as comportas… Sua vez, Ystrela, o que você encontrou?

– Além deste peixinho atrevido e malcriado, disse Ystrela, mas deu uma piscadela para Íbora, que compreendeu que ela estava a brincar; além de Íbora, encontrei uma pequena passagem que fica escondida entre muitas pedras…

– Suficiente para todos atravessarmos? Perguntou Iargo

– Não levaria em consideração nenhuma passagem que pudesse excluir qualquer um de nós… Disse Ystrela e completou:

– Como somos pequenos poderemos nos utilizar da pequena saída, e chegaremos a um riacho, que -espero- nos leve até um rio de maior porte. Não segui, além disso, pois necessitaremos um do outro para fazer a travessia.

Íbora ouvia a conversa dos amigos enquanto percebia a camaradagem, o quanto trabalhavam em equipe por um mesmo objetivo, e o quanto aquilo era diferente das escolhas que ele fizera até então.

Recordava-se de suas brigas com Lufos, e do quanto ele o acusara de havê-lo “metido” naquela encrenca (as corredeiras lembra? Se não lembrar volte alguns capítulos.)!

Como era gostoso perceber que relações podiam ser construídas na confiança, cumplicidade, respeito, camaradagem… Relações em que as pessoas, digo, os peixes somam para encontrar soluções…

Decidiram, os quatro amigos, que partiriam na manhã seguinte se TODOS tivessem descansado o bastante. É que a verdadeira união em torno de um sonho, de um desejo, de um grande, ou pequeno objetivo, exige que cada peixe pense no outro como parte de um só corpo.

Mantendo a individualidade ao mesmo tempo em que nos diluímos em um objetivo que é maior, muito além, do que somos em separado…

Ysla, Ystrela, Iargo, sabiam disso e formavam um só corpo… Íbora teria que aprender e estava certo
de que seria um bom aprendizado… Aprender que muitos podem ser Um Só Corpo e ainda assim Ser Único sem jamais perder a individualidade. Parece difícil? Acaso eu disse que difícil é sinônimo de impossível?

Jamais afirmaria tamanho despropósito…

Abraços de brisas perfumadas.

A-hammm,

Joyce Mobley

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