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Casamentos -Expectativas e Realidades-Joyce Damy Mobley

07/05/2010

Trabalhei com casais durante vinte anos, e, apenas, duas separações foram inevitáveis. Iniciarei uma série de artigos sobre Casamentos-Relacionamentos. Este é o primeiro da série.

Relacionamentos
O momento certo em que tudo dará certo!

Tão sábio quanto buscar, brigar, batalhar uma relação, é saber soltar, desapegar, e buscar-se, apegar-se a si mesmo.
Uma relação é algo que transcende a duas pessoas. É mais do que eu, ou você; é mais que nós dois juntos; tem personalidade própria.
Às vezes, em um casal, uma das pessoas está emocionalmente doente, outras vezes, os dois estão emocionalmente adoecidos, outras, ainda, é a relação que está adoecida; separadamente, conseguem contatar o seu eu saudável.
Uma das coisas mais cruéis de uma relação é a expectativa do momento certo onde tudo dará certo! Não existe este momento! Quando surge a esta ansiedade, do momento certo, é porque já perdemos a esperança de sermos assertivos, ou, ainda, quem sabe, nunca assumimos uma postura assertiva e deixamos para tempo a resolução de nossos impasses.
Não há nada mais dolorido do que se sentir só, dentro de uma relação. Quando a responsabilidade do sucesso e, principalmente, do insucesso, pesa nos ombros de uma só pessoa, tão só… Como caímos nisto? Parece tão claro, aos olhos dos outros. Por que não, aos nossos olhos? Porque buscamos o amor, a realização com o outro, porque amamos e nos tapeamos, perdoamos, juramos e tentamos… Tentamos… Tentamos… O peso de se tentar sozinho nos induz a acreditar que podemos conseguir, e nos enredamos, enredamos, enredamos…

DIFÍCIL ABANDONAR AS PESSOAS À PRÓPRIA SORTE?

Ilusão! Cada pessoa cria e vive a própria sorte; entretanto, na prepotência de compensar carências é comum acreditar que se pode modificar o outro, ou modificar-lhe a sorte. Como saber quem somos, quando passamos a viver a vida do outro no lugar de viver a vida com o outro?
Uma relação é feita de amor, mas este não sobrevive ao desafeto, falta de carinho, falta de amizade. É incrível o número de casais que mentem, um para o outro! Desnecessário e um erro fatal! Mentem o preço do supermercado, da blusa, o jogo de futebol, encontro com amigos, as necessidades afetivas, a infelicidade.
No desespero, muitas vezes, um dos dois sai a procura de ajuda… Procura nos pais, amigos, livros que falam do amor. Buscam, quando exaustos, ajuda em um profissional e, de tão fragilizados, escondem esta busca, pela certeza da invalidação, desaprovação de seu parceiro, que teima afirmar que o erro está em você: É só mudar isto, aquilo, etc., etc., etc. Mudanças é sinal de crescimento e fazem parte do caminho da relação. É preciso, entretanto, distinguir as mudanças possíveis, das impossíveis.

MUDANÇAS POSSÍVEIS E MUDANÇAS IMPOSSÍVEIS

Mudanças possíveis são as inevitáveis e saudáveis adaptações que qualquer relação exige. São mudanças que promovem o crescimento pessoal e também o crescimento do casal. Todo relacionamento deveria ter um contrato – flexível – que mude de acordo com o crescimento e evolução do relacionamento. A visão romântica do amor faz com que o mesmo seja engolido em cotidianos corrosivos.
Pense: Se você entra em um novo emprego você sabe o que esperam de você, quais são seus deveres, quais são suas metas a serem atingidas, quais são os seus ganhos. se contrata uma escola para os seus filhos vai saber a linha, os cuidados, o que a escola oferece, o que espera de você, o que você espera dela.

MUDANÇAS IMPOSSÍVEIS

Aquelas que nos tiram a alma… As que exigem, que sejamos outra pessoa, as que nos fazem infeliz, que nos fazem fingir, mentir, esconder. As que fazem com quê nos sintamos culpados por sermos quem somos; as que nos fragilizam e nos deixam inseguros de poder fazer o outro feliz. É que, efetivamente, não podemos fazer o outro feliz, isto é uma mentira do amor. Podemos fazer alguém mais feliz, mas não, feliz; alguém mais infeliz, mas não, infeliz, por nossa culpa.
Todo casal tem problemas, toda relação tem problemas, é claro! A diferença é que devemos procurar JUNTOS a solução para os problemas, quando eles surgem. É: O que NÓS podemos fazer? E não: O que VOCÊ pode e deve fazer! Se isto ocorre é porque você está sozinho, e cedo ou tarde a relação vai afundar, pois ela inexiste. A grande lástima é que nos afundamos junto! Primeiro nos afundamos, e quando não resta mais nada de nós mesmos, nenhuma força, respeito próprio, a relação afunda. Então ouvimos: Você não é a pessoa por quem me apaixonei! E não é mesmo, pois se perdeu de si, na procura do impossível.
Todos temos que nos lapidar na vida, no trabalho, no amor. Nos lapidar enquanto cristal, brilhante, esmeralda…Qualquer coisa; não importa o que você está lapidando, porém depois de lapidado uma pedra de cristal continuará sendo um cristal, jamais poderá ser transformado em esmeralda! Sinta se está se lapidando para manter as suas qualidades, ou tentando transformar-se em outra coisa… Se for este o caso garanto-lhe que jamais conseguirá.
Poupe-se, respeite-se, queira-se, ame-se, só assim você poderá viver o amor.

A-hammm
Joyce Mobley
CRT 42510

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5 Comentários leave one →
  1. 08/05/2010 7:35 pm

    Oi Luciana,
    Descobri seu blog um dia (ou dois, ou três, nunca sei em que dia estou) depois de haver escrito Teias na Floresta; deixei um testamento emocionado que nem sei se fez sentido… Perdi seu blog. Ainda me perco aqui no WordPress; para ser sincera eu me perco dando a volta na quadra, ou saindo do meu quarto para cozinha!
    Adorei o termo “baixa” que você escolheu. Fiquei pensando sobre a palavra, o termo: Dar baixa… Quase que viajo em outro artigo. Penso, que no caso, aquilo que é monetariamente compreendido como “baixa” é na verdade, dar: Auta, Alta. É um reencontro consigo mesmo e também com aqueles que um dia foram escolhidos para caminhar sempre juntos.
    Então penso no: Até que a morte os separe, e me vem a certeza de que vivemos milhares de mortes durante a vida. “Morrer e renascer é difícil”, mas é também um lindo processo de recriar o amor em outras bases.
    Adorei o seu comentário, me fez pensar. Também gostei muito de encontrar afinidades de idéias e posturas diante da vida.
    Beijos-Joyce

  2. marta permalink
    08/05/2010 1:46 pm

    “Poupe-se, respeite-se, queira-se, ame-se, só assim você poderá viver o amo”.

    Otimo post,esta tua ultima frase deveria ocorrer nas cerimonias de casamento.

    Eu fulana de tal, recebo-te por meu amigo
    e prometo-me fidelidade e liberdade
    amar-me, respeitar-me,querer-me e poupar-me
    na alegria e na tristeza,
    na saúde e na doença,
    todos os dias da vida
    até que a falta dos mesmo nos separe…

    • 08/05/2010 7:20 pm

      Oi Marta!
      Poderia constar se uma grande parte dos casamentos já não começassem sem base citada…
      Beijos-Joyce Mobley

  3. Luciana Luz permalink
    08/05/2010 12:19 pm

    Meu Deus, poucas vezes li um artigo tão bom, tão lúcido e maduro sobre relacionamentos românticos. Excelente! Destaco essas duas frases que, para mim, são a base de um relacionamento saudável e daqueles que dão certo todo dia, porque lidam bem com os impasses e os senões da vida à dois:

    “Todo relacionamento deveria ter um contrato – flexível – que mude de acordo com o crescimento e evolução do relacionamento. ”

    “MUDANÇAS IMPOSSÍVEIS

    Aquelas que nos tiram a alma… As que exigem, que sejamos outra pessoa, as que nos fazem infeliz, que nos fazem fingir, mentir, esconder. As que fazem com quê nos sintamos culpados por sermos quem somos;”

    Essa última parte, das mudanças impossíveis, está simplesmente *primoroso*, de verdade. Dá para entender porque vc só teve duas “baixas” no seu trabalho junto aos casais!

    “Poupe-se, respeite-se, queira-se, ame-se, só assim você poderá viver o amor.”

    Irretocável!

    Parabéns, Joyce, adorei seu post, sua forma de perceber a vida e o amor. Parece muito com a minha! É sempre maravilhoso encontrarmos um afim nas idéias! 🙂

    Beijo grande!

    • 08/05/2010 7:37 pm

      Oi Luciana,
      Descobri seu blog um dia (ou dois, ou três, nunca sei em que dia estou) depois de haver escrito Teias na Floresta; deixei um testamento emocionado que nem sei se fez sentido… Perdi seu blog. Ainda me perco aqui no WordPress; para ser sincera eu me perco dando a volta na quadra, ou saindo do meu quarto para cozinha!
      Adorei o termo “baixa” que você escolheu. Fiquei pensando sobre a palavra, o termo: Dar baixa… Quase que viajo em outro artigo. Penso, que no caso, aquilo que é monetariamente compreendido como “baixa” é na verdade, dar: Auta, Alta. É um reencontro consigo mesmo e também com aqueles que um dia foram escolhidos para caminhar sempre juntos.
      Então penso no: Até que a morte os separe, e me vem a certeza de que vivemos milhares de mortes durante a vida. “Morrer e renascer é difícil”, mas é também um lindo processo de recriar o amor em outras bases.
      Adorei o seu comentário, me fez pensar. Também gostei muito de encontrar afinidades de idéias e posturas diante da vida.
      Beijos-Joyce

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