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Apego-Casamento- 4°da Série Relacionamentos – Joyce Damy Mobley

18/05/2010

Apego-Casamento – Breve análise da mulher Hera nos dias de hoje- Joyce Mobley CRT 42510
AQUI HOMENS E MULHERES SÃO IGUAIS E TÊM OS MESMOS SENTIMENTOS DE HERA: POSSE E…

Morro Onde Me Prendo

Morro Onde Me Prendo

Carta a Hera
(trechos de Carta a Hera)
“Hera, venceste a batalha. Sêmele foi fulminada e tu o tens de volta, o teu Zeus. Mas será que realmente o tens de volta? Ele voltou para casa – mas não para o amor. É doloroso que tu não valesses mais do que a rival…, que ela fosse” melhor “e tu” já não servisses mais. E também dói que toda a tua dedicação e tudo aquilo que vivestes e construístes juntos, de repente perdesse o significado, e que outra tenha tocado uma corda sensível no coração dele, que talvez nunca tenhas conseguido fazer vibrar. E depois de tudo, o que terás ganhado.

Talvez a antiga situação. Restaurar a antiga ordem? Era esta ordem assim tão boa, que valha a pena restabelecê-la? Ouço-te dizer que havia também os filhos, a carreira dele que tanto encorajaste e toda aquela coisa que construístes juntos – A minha pergunta é: o que aconteceu ao teu amor? Onde está? Sufocado debaixo do que construístes juntos?
Zeus deixou de ser importante para ti. È importante porque assegura a estrutura externa, porque que te dá status e o sentimento de que não estás sozinha – mas como pessoa e como homem?”

Três momentos de Hera.

Vamos começar com algumas informações que, podem de início parecer soltas, porém se entrelaçam em uma triste história. Propositalmente coloco um H, visto que quando as estórias se repetem tantas vezes, passam a ser Histórias de todas nós. Por que caminhos decaímos de rainha do céu, personificação da luz celeste, para uma simples planta rasteira (hera), comum em muros velhos e troncos de árvores? Empregada como ornamento; impede, talvez, um pouco o desenvolvimento da árvore a que se fixa, mas é SEMPRE FÁCIL desembaraçar dela, cortando-a no pé. Identifica-se com esta imagem? Pode identificar alguém de suas relações? Não é muito difícil. Por isso eu disse que “era” uma triste História!

Na antiguidade a hera era consagrada no Egito a Osíris, na Grécia a Baco, os poetas eram coroados com ela. É símbolo da afeição constante. É às vezes acompanhada desta divisa: “Morro onde me prendo”.

É preciso despertar para o fato de que o amor não é incondicional, nem mesmo para com os nossos filhos! Se, criamos as pessoas, maridos, amantes, amigos, filhos, na ilusão da incondicionalidade do amor estaremos criando o nosso (e deles) inferno!

O amor quer se entregar e quer de volta! Existe uma profunda diferença entre altruísmo e entorpecimento emocional. Como criar um filho na ilusão de que o amor é incondicional? Vamos criá-lo para ser infeliz, ter baixo limiar para frustração, pensar que pode magoar as pessoas e elas sempre estarão ao seu lado… Estas mentiras são cruéis e passaporte para uma inadequação e insuficiência afetivas.

Morro onde me prendo! Claro que morremos onde nos prendemos, pois estamos presas e tentando prender àquilo ou àqueles a que nos prendemos. Não temos liberdade para contatar o nosso ser criativo e/ou ampliarmos o nosso potencial, assim que o transformamos em um simples estrategista, a serviço de mantermo-nos apegadas àquilo que nos mata! O amor pede regras, mas exige liberdade!

“No amor ocorre um paradoxo de dois seres se tornarem um, mas continuarem a ser dois”. Erich Fromm

Ignorar esta afirmação, tão bem ilustrada por Fromm, é estar matando a si mesmo, ao outro e ao amor. Quantos casais têm o triste costume de falar em par e/ou completar suas falas e depois lançarem um empobrecido… Não é mesmo, bem?

Juno (Hera) rainha do céu, antes de ser helenizada, era adorada como uma personificação da luz celeste e do casamento, nas cidades do Lácio, entre os Sabinos, os Oscos, os Umbros, os Etruscos.
Tinha atribuições diversas, distinguindo-se:
Juno Regina, associada a Júpiter e Minerva; Juno Lucina, deusa da lua e dos partos, muitas vezes assimilada a Diana; Juno Moneta, deusa dos bons conselhos; Juno Sospita, protetora das mulheres; Juno Caelestis, a Tanit ou Astartéa, tida como uma deusa sideral, ao mesmo tempo a Lua e Vênus, mãe e virgem.

Vamos considerar a fase pré helesiana, como uma fase em que em que Juno, Hera, está ainda em contato consigo mesma e assim sendo ela é luz, céu, protetora das mulheres, dos partos, bons conselhos (é uma lástima que muitas vezes esquecemos-nos de seguir os nossos próprios conselhos, nossa sabedoria é posta de lado), Lua, Vênus, mãe e virgem!
Que realidade e potencial maravilhosos! Quanta vida, quantos sonhos e realizações!
Para sermos tudo isto é necessário sermos felizes (não confundir felicidade com estado de contentamento; a felicidade é feita também de momentos infelizes, tornamo-nos infelizes quando este passa a ser o nosso “estado geral” com pequenos momentos de felicidade, que nos passam despercebido).

Talvez Hera seja Lua e Vênus, mãe e virgem, porque neste momento de sua vida ela está, ainda, vivendo o amor, casamento, como uma real união com Zeus, então ela floresce em todo o seu potencial criativo, em toda sua beleza radiante… Mãe e virgem, não são estados contraditórios; uma mãe virgem é aquela que está em contato com sua Vênus, é a mulher que “mesmo” mãe, pode ser sedutora, estar em contato com sua sexualidade, sensualidade e desejos… Cuida de sua aparência, é vaidosa, é mulher e mãe. Muitas mulheres ao se tornarem mães, engolem a sua sexualidade, pois fomos programadas para fazer uma distinção irreal entre estas duas faces (na verdade uma) de nós mesmos. Se você ao tornar-se mãe, sente-se confusa em relação a sua sexualidade, procure ajuda antes que seja engolida pelo lado sombra de Hera!

Quando nos perdemos de nosso centro, quando perdemos o nosso eixo, muitas vezes vamos procurá-lo no lugar errado. Voltamos nossos olhos para nossos maridos, amantes, companheiros e vamos buscar neles, aquilo que nos falta sem percebermos que estamos faltando a nós mesmas, que precisamos nos encontrar depois de perdidas em tantas mentiras em que fomos criadas, em falsas regras que nos desregram!

Os sintomas são facilmente reconhecíveis:

Sentimos que está nos faltando alguma coisa…
Pensamos: ele já não me olha da mesma forma!
Sentimo-nos sozinhas porque nos desacompanhamos de nós mesmos…
Reclamamos: você não me da mais a mesma atenção, só pensa em você, seus negócios, amigos, etc., etc., etc.
Obviamente vamos tornamo-nos verdadeiras chatas e eles começam, realmente, a se afastar… Afinal, quem gosta de chatices? Eu não gosto! Quando estou chata, nem me olho no espelho… Que dirão os outros?

Com o afastamento inicia-se o ciclo de maior descentramento; ao invés de nos perguntarmos o que há de errado conosco, começamos a questionar o que há de errado “nele”.
Conclusão desesperada: Ele tem outra! Na maioria das vezes, neste primeiro momento, “ele”, ainda, não tem outra. Não tem nem mesmo a nós… Mas as profecias sempre se cumprem e ele acaba encontrando outra(s).

Pronto! Somos agora, Hera…
Uma das grandes divindades helênicas, rainha do Olimpo, deusa dos fenômenos celestes (tempestuosos, eu diria), e do casamento (triste casamento!). Irmã e esposa de Zeus. Não faremos uma leitura incestuosa sobre este ponto. Deixemos Freud, um pouco de lado, e vamos pensar de uma forma mais holística. Uma relação onde somos irmãos e esposos e amantes poderia ser eleita como quase perfeita! Significa que existe uma forte ligação que, precede o casamento; uma relação de cumplicidade, de conhecer e percorrer os mesmos caminhos tendo em vista que temos o mesmo pai e a mesma mãe, ou seja: Nossas essências se assemelham. Não esquecer que percorrer os mesmos caminhos não é sinônimo de pisar nas pegadas do outro! Significa, sim, trilhar lado a lado enquanto opção e não por falta da mesma!

Filhos de Cronos-deus do tempo e Réia – deusa com poderes de curar e instruir no caminho da religiosidade… Melhores pais? Considero-os perfeitos!
Como me disse um amigo: “O tempo em sua incomensurável sabedoria, que resolva…”.
Para que esta sabedoria se revele, Cronos deve aliar-se a Réia somando ao tempo, a cura e a instrução… Só podemos lamentar que Hera não tenha sabido percorrer o caminho de volta para si mesma, e assim ter assumido os atributos que também lhe correspondem: tempo, cura e instrução- que trazia por herança; suas lembranças filogenéticas.

Tradições múltiplas mostram-na combatendo gigantes, perturbando o Olimpo com os seus ciúmes e contendas com Zeus. Tem com este, dois filhos: Hebe – deusa da juventude, Ares-deus das guerras. Sozinha tem Hepaisto (para competir com Zeus que “sozinho” teve Atena), e como tudo que nasce de sentimentos contaminados, este filho nasce coxo e Hera indignada atira-o ao longe.
Hebe (juventude) está sempre a serviço dos deuses, veste e banha Ares ferido… Digamos que a personificação da juventude feminina está a serviço dos deuses e consegue curar e vestir o próprio deus da guerra… Mais uma vez, Hera deixa de lado a possibilidade de crescimento interior, agora, através de seus filhos!

Buda dizia que um discípulo só poderá procurar o mestre quando estiver decepcionado consigo mesmo. Senão ele iria querer mudar o mestre ao invés de deixar-se ajudar.

A decepção com a vida leva-nos a viver o lado sombra de Hera, lutando contra rivais reais ou imaginárias, atordoando-nos e aos nossos companheiros com nossos ciúmes, perseguindo “estas mulheres que não podem ver um homem casado, sem tentarem se atirar nos braços deles”…

Qual a saída para este dilúvio de sentimentos?

Decepcionarmo-nos conosco e buscar as saídas e responsabilidades em nosso interior. Não podemos mudar o outro, mas podemos nos modificar. Não existem culpados e/ou se existem, não justifica a nossa infelicidade! Solidão é desacompanhar-se de si mesma!
Não adianta querer mudar o mestre… Temos que começar a viajem de volta para nossa casa interna… Isto significa que a vida nos impõe situações terríveis, mas somos nós que temos que reagir, tomando a direção em nossas mãos e nos conduzindo para paisagens mais gratificantes!

Como escreveu Antoine de Saint-Exupéry, “o amor é o processo em que você me mostra o caminho de retorno a mim mesmo”. Pena que nem sempre nos seja mostrado das formas mais doces e bonitas… Mas ainda assim, em meio a tormentos, decepções, tristezas, abandonos, “você me mostra o caminho de retorno a mim mesmo!”.

O grande paradoxo é agradecermos aos desencontros amorosos, um encontro de amor com a nossa deusa interior. Energia, Força, Natureza, Desejo… Como é bom quando usamos com sabedoria em nosso favor!

Abraços de brisas perfumadas.
A-hammm
Joyce Mobley
CRT 42510

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7 Comentários leave one →
  1. Malu permalink
    24/05/2010 1:51 pm

    Joyce,tenho andado a pensar nisso

    Para sobreviver a um relacionamento acho indispensável uma aliança entre as emoções e a razão.
    muita emoção as pessoas acabam “abusando do amor”,na verdade deixamos nos levar pelo calor do momento e muita razão as pessoas acabam nos achando egoístas e calculistas.
    Então com uma dose dos dois temos um equilibrio em qualquer relacionamento.

    Bjoo!

    • 24/05/2010 6:29 pm

      Malu kéééuurida!
      Sobreviver a um relacionamento já implica em algo de muito desconfortável…
      Será MESMO que relacionamentos deveriam ser feitos de efeitos tais como “sobreviver”.
      Sobrevida… Na sobrevida já estamos pisando em solo pouco fértil…
      Entendo relacionamentos como algo que existe para lhe fazer mais feliz do que você já é; compreendo como somar, acrescentar,
      viver com as qualidades de companheirismo, respeito, tesão, cumplicidade, metas, sonhos que serão construídos enquanto
      nos construímos. Não acredito em sobrevivência, isso é muito pobre, mas acredito em viver, acredito em realmente acionar
      o que há de melhor em cada um e viver com prazer.
      Abusar do amor? Amor de verdade não se deixa abusar, são as nossas burrices emocionais que se prestam à tal papel, dang!
      Beijosssssssssssssssssssssssssss
      A-hammm,
      Joyce Mobley

  2. Tia permalink
    19/05/2010 2:24 pm

    Legal que você pense em escrever um outro livro,este assunto casamento talvez seja o “mal do mundo”
    A partir do momento que as pessoas aprendem a se relacionar com o outro e amar a si próprio( se respeitar e não confundir com egoísmo) 90% de resolver as insatisfações da vida e pq não 100%?é que nunca ninguém está satisfeito com nada.

    bjos 🙂

    • 20/05/2010 5:33 pm

      Não seria exatamente sobre casamentos, mas sobre relacionamentos…
      Ainda estou pensando. Primeiro vou fazer uma especialização em editoração de livros e conhecer mais sobre o tema; acho que vai me engolir um certo tempo. Entretanto, vai me oferecer o conhecimento básico para não ser engolida pelo mercado DE NOVO, dang!
      Beijos

  3. Tia permalink
    18/05/2010 10:11 pm

    Eita que to amando as séries todas!

    Não podemos mudar o outro, mas podemos nos modificar. Não existem culpados e/ou se existem, não justifica a nossa infelicidade! Solidão é desacompanhar-se de si mesma!

    Perfeito

    Quem não se modifica vive a ilusão de que o outro mude e é uma grande ilusão.
    Se não estamos satisfeitos em um relacionamento é nós quem temos que mudar internamente e se preferir pode ser fisicamente tipo pro polo norte também rsrs quanto mais longe melhor 🙂
    Quer mais solidão do que viver um relacionamento sozinha?
    Penso que tem vezes que devemos mesmos viver o outro lado da solidão que é o lado bom,aquele que sintonizamos com nós mesmos. é este lado positivo da solidão que estou vivendo.

    bjos

    ps.Gostou das fotinhos e links?

    • 19/05/2010 1:38 am

      Amei as fotos nos links, thanks with sugar on. Minha conexão está enlouquecida e desvairada e talvez na sexta esteja okay. Nem sei se estarei on até acabar de escrever, pq eles não conseguem acertar uma rede de 3 pc de raças diferentes e até o pc de mesa está desconectando.

      Vamos lá, adorei seu comentário. A solidão que você agora vive, aquela que escolhemos para nos sintonizarmos, conhecermos melhor, harmonizarmos, é a solitude que se preenche do enorme prazer de encontrar um espaço para saber quem e como você é.
      Tenho refletido, revisto casos trabalhados, e tentado compreender mais profundamente – ao unir tantas histórias de vida – o que elas têm em comum. Encontro o vazio de pessoas que não se acompanham, que não encontram paz, calor, carinho dentro delas e para elas. Encontro traços de profundo egoísmo e infantilidade: Infantilidade mesmo, que percebo diferente de imaturidade.
      Há muito o que pensar e é uma boa reflexão; talvez escreva outro livro, mas esse não será dedicado à humaniade, dang!
      Carinho-Joyce

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