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AMOR E CONQUISTA-7° SÉRIE RELACIONAMENTOS-JOYCE DAMY MOBLEY

04/07/2010

Até que ponto uma mentira se sustenta?
Trabalhando casais -em consultório- não é incomum ouvir queixas do tipo: Antes ele, ou ela, não era assim… Há muitos e tantos motivos para se dizer, ou ouvir, um comentário desse tipo.
Algumas vezes, tais queixas acontecem pelo simples fato de quê as mudanças realmente acontecem: as pessoas crescem, escolhem novos caminhos, vivem experiências que causam mudanças internas que se refletem no mundo externo e, consequentemente, na vida do casal.
As pessoas se conhecem em determinados momentos de suas vidas, e, esquecem-se das atualizações do processo de conhecimento; se estivermos atentos podemos constatar por quantas mudanças nós mesmos já passamos…
Mas não é disso que este post vai tratar, não hoje. Vamos falar um pouco sobre as mentiras intencionais nos processos de conquista. Vamos falar sobre: Amar Bonito.
Afinal, o que é amar bonito? Às vezes, poucas, eu mesma me pergunto o que é amar bonito.
Há muitos anos, eu tinha treze anos, enquanto observava uma amiga empenhada em seduzir um determinado garoto, perguntei a ela se não lhe causava insegurança o fato de saber que estava fingindo ser alguém que não era… Mas, para ela, não fazia a menor diferença desde que conseguisse o seu objetivo.
Durante dias pensei sobre a resposta que ela me dera, porque tenho desde o desde sempre essa mania de pensar muito sobre o que me dizem, principalmente, quando parece não fazer sentido. Então, perguntei se quando ela o houvesse conquistado, e tendo a total consciência de que havia criado um personagem, se ela conseguiria sentir-se realmente amada, ou se o personagem que ela criara não estaria recebendo um amor que não lhe cabia. Ela me olhou como se eu fosse maluca; talvez o fosse, talvez o seja.
Ainda hoje vejo homens e mulheres que fazem isso constantemente, quase como se fosse uma regra básica dos processos de sedução e conquista. Conheço mulheres que decoram os nomes de jogadores de futebol, nomes de carro, tudo o que possa interessar à “bola da vez”. Também conheço homens que, essencialmente, fazem o mesmo jogo.
Já caí nesse jogo várias vezes, é claro, mas houve um (há seis anos) que chegou ao requinte de ler tudo o que eu escrevia, até os meus poemas, e, por um tempo, conseguiu me envolver. Como nos jogos de sedução, e também na vida, mentiras, tapeações, não se sustentam por muito tempo, acabei por perceber que aquilo não era um “encontro de almas”… Yep, sou uma romântica que faz o maior esforço para manter meu intelecto em alerta; também já escrevi neste blog que o meu amor é lindo mas carece de um cestante. Enfim, percebi que ele tinha informações que nem mesmo uma alma gêmea (se existisse) poderia ter, e, do encantamento, restou apenas a minha mais profunda perplexidade.
Acredito que há pessoas que sejam honestas nos seus processos de sedução-conquista, porque felizmente nem todas conseguem se vender de forma tão barata! Amar bonito é seduzir todos os dias, é manter o melhor de si mesmo no cotidiano, é ser a mesma pessoa, excetuando aberrações, que você era quando escolheu alguém para amar.
As pessoas têm medo de ser feliz. Temem a entrega porque temem a perda, escondem o melhor de si para poderem ter uma desculpa (também se culparem) quando o amor não dá certo. Escolhem regar o amor à conta gotas, porque essa é a garantia de não florescerem enquanto aprendem a amar desde o que há de mais bonito, mais honesto, mais carinhoso, mais sedutor, de si mesmos.
Na década de 70 criou-se o clichê: Você não sabe se amar e por isso não ama ninguém. Assim como o inconsciente, de Freud, transformou-se popularmente em uma das maiores desculpas: Fiz inconscientemente, e blá blá blá! Retomando, assim como o inconsciente de Freud foi corrompido, também o “preciso aprender a me amar” para poder amar alguém, o foi. “Porque não me amo, não amo ninguém” é mais uma distorção, igualmente uma desculpa, para aqueles que temem o crescimento e aperfeiçoamento humano.
Aprendemos a amar bonito, enquanto amamos, ou meramente deixando de fugir quando nos damos conta de que estamos amando. O amor flui com naturalidade, mas, por medo, as pessoas interrompem-lhe a fluidez e amam aos soluços (espasmo repentino e involuntário do diafragma), invariavelmente acabam por sobrecarregar a vida, o corpo, e a alma, de soluços.
É tão mais natural fluir!
Abraços de brisas perfumadas.
A-hammm
Joyce Mobley
CRT 42510

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10 Comentários leave one →
  1. leticia permalink
    06/07/2010 2:07 pm

    Conheço um casal que se divorciaram no papel e depois casaram novamente no papel,foi um tempo de 4 anos de separação mas foi o tempo deles crescerem individualmente e agora estão juntos e já tem um tempão e são super unidos.
    Eles estão amando bonito ahuahauahuahuhauh
    Destino? Depende ahuahuah

    Bjinhos

    • 06/07/2010 3:35 pm

      Oiiiiiiii Le!
      Acho que vou escrever um “fragmentos de histórias de casais”…
      O que não faltam são hsitórias para serem contadas; vão das mais tristes, às hilariantes, comoventes, horrorosas, e as bonitas também.
      Beijossssssssssssssssssssssssssss
      ps: Nosso destino escrevemos a cada dia, a cada escolha, a cada não escolha….

  2. leticia permalink
    05/07/2010 3:36 pm

    Oi

    Estava Lendo os comentários
    Sabe o que eu não entendo?
    Se existe um acordo falado entre os casais,ou qualquer outro acordo em fazer a manutenção do casamento,por que os mesmos não vão até um lugar onde todos tem o mesmo propósito.há um lugar específico mas não pretendo por o nome aqui.
    Pra que envolver outras pessoas que não gostariam de participar disso?
    Estou me referindo quando os casais tem um acordo e a outra pessoa envolvida não sabe deste acordo.
    Eu já me envolvi com um homem casado(só no papel) mas o caso é diferente, estamos esperando a relação amadurecer e deixar fluir,mas eu ficaria extremamente triste se eu descobrisse que não esta separado de corpo e alma.Por enquanto estou sonhando,e não quero acordar… pelo menos por enquanto…

    Esta sua frase encerro este comentário:

    Até que ponto uma mentira se sustenta?

    Até o ponto que a mentira o sustenta.

    Bjinhos

    • 05/07/2010 7:02 pm

      Oi Letícia!
      Há muitos casos de casais que frequentam tais lugares, ou os lugares nem existiriam.
      Quando respondo alguma questão -por aqui- não estou a afirmar que todos os casos sejam iguais. O amor, assim como a vida, é dinâmico… Não há papeis que prendam as pessoas. Casamento – nesse sentido – é uma sociedade e os papéis existem para garantir determinados direitos; hoje, as relações estáveis (acho que 2 anos) conferem os mesmos direitos que casamentos “de papel passado, jurado, e sacramentado”.
      Já casei, já morei junto, mas depois de uma desagradável surpresa de quê ao morar junto você tem um inquilino – se estiver morando no seu imóvel, e foi o meu caso – eu só caso de papel passado, pois em caso de separação, por incrível que possa parecer, é mais simples.
      Quando eu quis me separar, e não estava casada, e meu respectivo ex não queria separar-se, tive a desagradabilíssima surpresa de que teria que recorrer à lei do inquilinato…
      Fui embora, deixei o meu ex dentro do meu imóvel, e ainda tive que vender o mesmo com desconto porque o contrapeso estava lá dentro, dang dang dang!
      Amar, assim como viver, é arriscar-se. Não há como viver sem correr riscos; não há como amar sem correr riscos, mas há como cuidar-se com carinho para viver com qualidade, e há como amar com carinho, com tesão, com cumplicidade, e viver um amor feliz.
      Ser feliz também é correr risco de poder não ser feliz em determinados momentos da vida…
      Ser feliz é transformar as grandes tristezas nas pequenas tristezas do dia à dia (Freud).
      Se você está vivendo o seu amor, se está feliz, cuide do seu amor, e viva o seu amor sem pensar em bobagens. Há muitos motivos para um casal permanecer sob o mesmo teto: educação, apego, dinheiro, filhos… Cada casal terá os seus próprios motivos que farão a manutenção do casamento, ou não. Alguns casais atravessarão fases difíceis e crescerão, e se unirão ainda mais depois de uma fase difícil; outros romperão as relações e viverão outras relações.
      Até onde uma mentira se sustenta?
      Não se sustenta.
      O tempo é o maior inimigo de qualquer mentira, e queiramos, ou não, o tempo passa…
      Beijosssssssssssssssssssssssssssssss

  3. Monica permalink
    05/07/2010 12:19 am

    Boa Noite

    Excelente artigo, mostra a realidade de muitos casais.
    Uns temem mostrar o amor;
    outros mentem que amam para garantir a vida de casado;
    outros mentem para as amantes que já estão saturados da esposa mas na realidade querem mesmo é botar fogo(esquentar) o casamento;
    outros não mentem um para o outro e compactuam em colocar um terceiro na relação que nem imagina que esta sendo usado;
    Tudo por que?
    Em busca do prazer,do sexo, e da aventura.
    O amor foi deixado de lado, por que uma pessoa que faz alguns desses itens acima não ama e nem imagina o que é amar.Devo ter fugido do tema,mas no momento meu coração DIZgita isso

    Bejo

    • 05/07/2010 1:35 am

      Oi Monica!
      Não há certo, tampouco errado, quando o coração DIZgita; há aquilo que o artigo desperta em cada pessoa. Uma relação envolve todos os que dela participam e quando acontece um triângulo amoroso, não é diferente.
      O tema é profundo, tão profundo quanto é a dor que envolve. Anyway, há um acordo entre as três partes, um acordo mudo, um acordo falado, um acordo repleto de desacordos, porém inegavelmente é um acordo. Como você mesma afirma o terceiro, ou terceira, na relação cumpre muitas vezes o papel de esquentar, botar fogo, em relações que muitas vezes já estão desgastadas. Pode ser difícil de admitir, porém aquele que tem a sua relação aquecida através da “traição” também está ganhando, e justamente pelo aquecimento.
      Na grande maioria das vezes a terceira pessoa dentro da relação está a fazer a manutenção da mesma. Homens e mulheres sentem a traição de maneiras diferentes: Para uma mulher é mais difícil suportar a divisão afetiva; podemos aguentar a traição física, mas dificilmente aceitamos a traição emocional. Caminho oposto quando se trata de homens, pois podem aceitar que haja um envolvimento emocional desde quê não haja envolvimento físico; isso é cultural. Acho que falo sobre isso no artigo sobre Lillth.
      Retomando este post é exatamente a isso que me refiro quando uso o termo Amar Bonito; sedução deve fazer parte das relações e deve ser constante. Tesão deve ser estimulado entre o casal, e mais uma vez faço uma afirmação controversa: Por mais difícil que possa parecer não é pouco usual o acordo tácito entre marido e mulher de botarem fogo no relacionamento através das traições.
      Amar é um exercício que pode, mas não precisa ser dolorido… Há que se estabelecer limites para as escolhas, e não escolhas, que a vida nos apresenta. Não acredito -depois de tantos anos trabalhando casais- que haja uma pessoa errada, ou que haja apenas uma pessoa que detenha a razão num casamento; existem duas pessoas certas que estão acompanhadas das pessoas erradas.
      Beijo

  4. 04/07/2010 10:44 pm

    Amei! Uma vez eu disse exatamente o mesmo para uma amiga que *sempre* fazia isso. E depois, quando ela estava em lágrimas, ela vinha dizer: “por quê isso sempre acontece comigo? quando eu começo a me mostrar, a dizer o que gosto e o que sinto, eu perco o namorado?” Agora ela está casada e com uma menininha recém-nascida, e dessa vez ela também chorou bastante, mas porquê lutou para manter quem ela é desde o início. Ele tentou moldá-la, mas ela foi firme e eles acabaram se encontrando e finalmente deu certo! Um dia desses ela me escreveu um e-mail reflexivo, poucas semanas antes de dar à luz, daquelas reflexões que só mostramos para as melhores amigas, e eu chorei de emoção com a maturidade que ela adquiriu de todos esses relacionamentos que não deram certo, e o quanto ela está lúcida diante do casamento.

    • 04/07/2010 11:02 pm

      Oiiiiiiii Lu querida!
      Estou em falta com você e comigo mesma!
      Não tenho passado nos blogs que tanto gosto, mas estava doidinha (um pouco mais do que o meu normal) com os últimos detalhes do meu próximo livro. Amanhã mesmo tenho uma reunião com o editor, mas deve ser lançado em dois meses.

      Nada como amar para aprender a amar… Não há outra forma, ao menos eu não conheço.
      Como respondi para Marilza: Aprendemos esse maldito comércio de amor desde cedo; é na infância… Só quando nos damos conta de que para sermos amadas, amados, temos que ser quem somos é que nos atrevemos a nos mostrar, e finalmente recebemos o amor que preenche.
      Penso que toda lágrima, toda dor que nos faz crescer vale ser vivida!
      Você tocou em um ponto interessante: Tentar moldar o outro.
      Isso faz parte do mesmo jogo de comércio de amor. Assim como aprendemos a ser quem não somos -para recebermos um amor que não nos pertence- também tentamos moldar os outros, porque é exatamente o que faziam conosco. Mantemos padrões que precisam ser revistos para que possamos realmente amar, e sermos amados. O mais lindo de tudo é que ao aprendermos somos capazes de educar os nossos filhos dentro de padrões honestos e verdadeiros.
      Momento mágico é o que sua amiga está vivendo, e que coisa boa vocês poderem compartilhar isso!
      Beijossssssssssssssssssssssssss

  5. Marilza permalink
    04/07/2010 9:36 pm

    Mulher que pensa é outra coisa.. Bjs !!!

    • 04/07/2010 10:47 pm

      Gargalhadas!
      Amiga kééééuuurida, saudades.
      Muitas vezes eu gostaria de pensar menos, mas me é inevitável e você bem o sabe…
      Décadas de prática, dang! Na verdade esse comércio do amor: Seja assim e então eu te amo; faça isso que lhe dou um beijinho… Isso é incentivado desde o desde sempre. Começa quando somos crianças e precisamos de amor para podermos crescer. Eu até que tentei, quando era criança, mas logo ficou óbvio que não era eu quem ganhava os carinhos, ou atenções, quando fingia ser o que eu não era… O carinho parecia me atravessar sem me preencher, e ainda me fazia sentir sozinha…
      Em matéria de amor prefiro ser quem eu sou e só assim tenho a certeza de ser amada.
      Beijossssssssssssssssss

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