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UM QUASE NADA – Joyce Damy Mobley

29/07/2010

Cães covardes e medrosos são inconfiáveis. Em verdade são mais temíveis do que os cães agressivos -que são mais óbvios e atacam de frente- e contra os quais podemos nos defender ou nos arriscar menos. Quando escolho um cão passo algum tempo a observar como ele se relaciona com os outros cães; como reage a movimentos bruscos; como esse cão “fala”: Ele é direto? Ele faz rodeios? Ele foge ao contato, e quando percebe que outro cão foi à frente sem se machucar, então se exibe e tenta chamar atenção?

Hoje estava a pensar sobre pessoas covardes e as mais variadas formas de covardia… Descobri que temo as pessoas covardes em suas vidas, assim como temo um cão covarde e medroso. Então me lembrei da frase: “Não vos mata mais as espadas ou os anos do que as portas que atravessais de um cômodo para o outro”.

Na convivência o que se pode esperar de uma pessoa que é covarde diante da própria vida? Alguém que escolhe as travessias de um cômodo para o outro, e em cada cômodo uma lamúria já conhecida? Alguém que espera tanto e por tantas garantias que nem chega a viver? Sim, pois viver a olhar o que poderia ter sido -e não foi- é como viver o NADA; viver o QUASE.

Há anos havia um texto -que me chegou por email- e falava sobre o QUASE, esse assustador QUASE vivi; QUASE amei; QUASE me arrisquei; QUASE acertei; QUASE tomei uma decisão… Quase é tão assustador quanto um cão covarde e medroso, quanto alguém que teme a própria companhia… Uma vez conversei com um senhor de idade que jamais ficou um só dia sozinho. Na verdade, ao que me consta, pois não sei se foi exagero dele: Se todos saíssem, ele também saía…

Recordo-me de haver pensado no quanto as escolhas que ele fez na vida foram “não escolhas”… Para mim é mais assustador não escolher do que fazer uma escolha assustadora. Não escolher é como deixar que qualquer pessoa, qualquer fato da vida escolha os caminhos que trilharemos… É o QUASE escolhi, mas não escolhi e virei um NADA: uma eterna criança sem opções por haver optado pela covardia e pelo medo.

Certa feita escrevi que se eu soubesse – tudo que hoje sei – tudo o que viveria, e, se pudesse escolher, eu não viveria… Recordo-me de uma amiga me haver dito: E os seus filhos? Respondi que estaria vivendo e brincando com eles em outra dimensão.

Fato é que vivi e me transformei na pessoa que hoje sou. Gosto muito de quem, e como sou; isso também é fato. Valeu à pena? Valeu, mas penso que poderia ter doído menos se eu acreditasse nas pessoas por menos tempo… Eu não gostaria de desacreditar das pessoas em quê acreditei, mas gostaria de ter lido os sinais e acreditado por menos tempo.

Se eu hoje pudesse conversar comigo mesma num tempo futuro? Se eu pudesse me encontrar com quem serei em 20 anos, o que será que eu me diria? Sei o que eu perguntaria: Em que ponto ter paciência -com o que me parece covardia para viver- e acreditar excessivamente nas pessoas- se entrelaçam?

Fecho os olhos e imagino a resposta:

– Vá em frente e no seu tempo; pode parecer muito rápido para a maior parte das pessoas, mas é o seu tempo. Não segure o passo como fez tantas vezes, pois de nada adianta: Quem quiser acompanhá-la que apresse o passo, ou que a encontre mais adiante.

Acho que essa seria a resposta, e me assusta, mas me assusta menos do que perder tanto tempo, como tantas vezes fiz, querendo acreditar em pessoas que não acreditam em si mesmas: Elas mordem como os cães covardes, porque estão assustadas, e temem mais as conseqüências de suas escolhas, do que a realidade de se arrastarem sucessivamente através dos mesmos cômodos e ouvirem as próprias lamúrias – que geralmente murmuram – o quanto elas QUASE foram mais do que um lamento covarde.

Abraços de brisas perfumadas.

A-hammm…

Joyce Damy Mobley

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7 Comentários leave one →
  1. Rätsel Ewig permalink
    08/08/2010 5:11 am

    Passei para deixar um abraço!
    Tentei comentar este post incrível duas vezes desde que voltei, wordpress não gosta muito dos meus comentários!

    Já li quase tudo que perdi enquanto estive ‘sumido’, esperando por mais!

    Ewig

    • 09/08/2010 9:11 pm

      Ewig queriiiiiido, senti a sua falta…
      Um mês? Estava de férias?
      Já aprendi a copiar meus comentários de tanto que os perco aqui!
      Quando somem eu eu colo e não tenho que escrever DE NOVO!
      Beijosssssssssssssss

  2. leticia permalink
    29/07/2010 6:21 pm

    Covardia ou falta de auto-confiança?

    Muitas vezes a pessoa tem vontade mas não tem coragem;
    Acredito que por imposições ou laços “nó cegos” afetivos
    Pessoas assim Joyce,tiveram base com os pais,são completamente influenciados e incapazes de serem livres…

    Beijos

    • 09/08/2010 9:13 pm

      Interessante o seu comentário: Incapacidade de ser livre…
      Muito bom isso.
      Beijossssssssssssssssss

  3. leticia permalink
    29/07/2010 12:09 pm

    Bom dia

    Volto aqui mais tarde e comentar esse importante post com calma.

    Beijos

    para não perder o costume: asuhusuahsuhaushuaus

    • 09/08/2010 9:15 pm

      asuhuasuhu… Coisa mais complicada rir assim, dang!
      chuléchuléchulé pra vc!
      beijossssssssssssssssssssss

  4. 29/07/2010 1:47 am

    TRADUÇÃO DA LETRA:

    Gotas de chuva estão caindo sobre a minha cabeça
    E como o sujeito
    Cujos pés são muito grandes para própria cama,
    Nada parece se ajustar.
    Esses pingos de chuva estão caindo sobre a minha cabeça
    Eles continuam caindo

    Então eu bati uma conversa com o Sol,
    E falei que não gostava
    Do modo que ele fazia as coisas:
    Dormindo no trabalho
    Esses pingos de chuva estão caindo sobre a minha cabeça
    Eles continuam caindo

    Mas uma certeza, eu tenho,
    Tristeza que eles me enviaram
    Não me derrotará;
    Não vai demorar muito
    Pra felicidade me encontrar

    Pingos de chuva continuam caindo sobre a minha cabeça,
    Mas isso não significa
    Que meus olhos logo ficarão vermelhos.
    Eu não sou de chorar
    Porque eu nunca vou parar a chuva
    Reclamando
    Porque eu sou livre,
    Nada está me preocupando!
    Não vai demorar muito,
    Pra felicidade me encontrar.

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