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Joyce Damy Mobley-Urano e Gaia-Cronos e Réia

18/10/2010

No Início havia Oceano – espírito grande, circular, infinito – como um imenso rio que sempre corria e voltava para si mesmo… Não posso deixar de pensar sobre o quanto esta figura se assemelha a tantos homens e mulheres que parecem viver, ainda, como Homero descreve o início de tudo. Havia também outra presença, Tétis a Primeira Mãe… Imagino que Oceano estivesse distraído, ou menos absorto, ou enfadado, ou quem sabe um pouco tonto de tantas voltas e voltas de volta para si mesmo; whatever, numa dessas voltas encontrou-se com Tétis.

Do encontro de Oceano e Tetis nascem os primeiros Deuses da Grécia Antiga. O nascimento do homem só acontece muito tempo depois e não era considerado como algo muito importante. Na ordem de importância a espécie humana era de segunda, ou terceira categoria: mais relevantes eram os próprios deuses, a terra, os rios, toda natureza. A mim me parece que a raça humana ocupava o espaço correto: apenas uma peça à mais, e que deveria se encaixar na ordem do equilíbrio do mundo – equilíbrio ecológico.

É uma lástima que as posteriores religiões, ou mitos, não nos tenham limitado à insignificância que realmente somos. Ao sermos criados, ou recriados, à imagem e semelhança de Deus fomos elevados à categoria de “donos do mundo” e não nos avisaram à tempo – que uma vez expulsos do paraíso- a terra em que vivemos sofreria as conseqüências de nossos atos… Perdemos a noção de pertencimento; em contrapartida cresceu a idéia equivocada de que a Terra continuava a ser o Paraíso, e, como tal, indestrutível.

Segundo Hesíodo no início havia o Caos – que significava o Vazio, o Nada, e gosto de pensar na visão Taoísta de que Nada e Tudo são equivalentes – também havia Gaia, a Terra, que se encontra com Urano, o Céu. Urano não queria ter filhos, portanto os matava. Entretanto, apesar de Deusa, Gaia -a Terra- é um princípio feminino…

Popularmente dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, mas gosto de pensar que as deusas – por serem mulheres – escrevem por linhas sinuosas.

Retomando: A despeito de Urano, Gaia desejava ter filhos e conspirou com Cronos – que ainda estava em seu útero – para que ele ferisse o próprio pai, castrando-o. De dentro do ventre de Gaia, Cronos corta os genitais de Urano, que caem e se espalham pelo mar e das espumas das ondas nasce Afrodite, a deusa do amor.

É inevitável deixar de traçar um paralelo entre o medo – também atração – que os homens sempre sentiram de Afrodite e o seu nascimento: ela nasce da castração do princípio masculino o Céu, Urano, carrega consigo e em si a marca e possibilidade da emasculação. Talvez seja uma boa explicação para a intensidade com que foi atacada através dos tempos, tempo, Cronos… Entretanto, também podemos relevar que o próprio tempo (Cronos) encarrega-se – salvo a interferência farmacológica- da emasculação do homem.

Retomando: Cronos liberta os irmãos do ventre de Gaia e nascem os Titãs. Casa-se com Réia e repete a história de seu pai. Cronos não queria ter filhos e obrigava Réia a entregá-los, ao nascerem, para que ele os engolisse. Como Gaia, Réia também queria ter filhos: quando Zeus nasce, sua mãe o esconde numa caverna, e em seu lugar envolve uma pedra em tecidos entregando-a para que Cronos a engolisse. Zeus cresce, ataca o pai, liberta todos os irmãos que guerreiam com os Titãs e tomam o Olimpo, dando início à segunda geração de deuses, os Deuses do Olimpo.

Zeus também recupera a pedra que Réia entregou à Cronos e ela ( pedra) pode ser encontrada, ainda hoje, no Templo de Delfos.

A primeira raça de homens, segundo Hesíodo, foi descrita como a Era de Ouro: homens festejavam com os deuses; todos eram bons e justos; tudo era abundante… Mas desaparecem sem deixar vestígios, ou explicações.

Segunda era: Era de Prata. Zeus forja homens de prata, que viviam durante um longo tempo como bebes, tinham uma curta maturidade, e uma velhice horrível. Eram arrogantes e não tinham muita consideração pelos deuses; desaparecem debaixo da terra.

Terceira era: Era de Bronze. Os homens viviam guerreando e se exterminaram através de suas próprias guerras.

A quarta era: Era de Ferro, é a que somos até hoje… É necessário lembrar que a mulher não existia em nenhuma dessas versões. Ela foi enviada como uma punição – “Kalon Kikon” – que significa Um Belo Mal.

Sinto carregamos em nós todos esses homens, todas essas eras – acho que vou musicar este post com: “Como nossos pais”.

Deuses e Titãs eram e são tão próximos do que somos em suas paixões, amores, violência, guerras… Isso me faz lembrar os filhos de Afrodite (Vênus) e Ares (Marte), deusa do amor e deus das guerras:

Anteros era filho de Afrodite com Ares e irmão de Eros. É o deus da Separação, cujo poder seria o de separar qualquer casal com uma flechada, quando necessário. É descrito como o oposto de Eros. Ao nascer ele e Eros atingiram a idade de 17 anos imediatamente. É descrito com os cabelos lisos e negros. Os olhos da mesma cor a pele bronzeada. As asas seriam também negras, sendo ele tão belo quanto Eros. Já que este tinha cabelos encaracolados e dourados. Olhos de um profundo azul e a pele clara com asas brancas. Anteros é o símbolo do amor desgraçado, da resistência ao amor, a vingança ao amor não correspondido, ao desamor.

Deimos, também filho de Afrodite e Ares é a personificação do terror, e, acompanhava seus pais em inúmeras batalhas juntamente com o seu irmão gêmeo Phobos (Fobos).

Fobos (fobia) simbolizava o temor e acompanhava Ares nos campos de batalha, injetando nos corações dos inimigos a covardia e o medo que os fazia fugir.

Harmonia (Concórdia), como filha de Afrodite, presidia sobre a harmonia conjugal, suavizando o conflito e a discórdia. Como filha de Ares, representava a ação harmoniosa na guerra.

Recentemente postei em “6° da série Relacionamentos- Medo-Amor-Prazer”
PRAZER (Característica)- Felicidade, alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação e bom humor, disposição e entusiasmo, euforia, êxtase e, no extremo, mania.

REAÇÃO – Maior atividade no centro cerebral que inibe sentimentos negativos e favorece o aumento de energia existente e silencia os que geram pensamentos de preocupação; a tranqüilidade permite o corpo refazer-se de emoções perturbadoras, repouso geral.

MEDO (Característica)- Ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, psicopatológico: fobia e pânico.

REAÇÃO – O sangue vai para os músculos do esqueleto, como o das pernas, tornando mais fácil fugir, o corpo imobiliza-se para fugir ou lutar.

AMOR (Característica)- Aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão.

REAÇÃO – O sangue vai para os músculos do esqueleto, como o das pernas, tornando mais fácil fugir, o corpo imobiliza-se para fugir ou lutar.

Com Dionísio, deus do Prazer, Afrodite teve um filho, Príapo, deus da Fertilidade.

Amor e Medo, ambos provocam as mesmas reações físicas e talvez por isso seja tão difícil fluir no amor; imagino que PRAZER seja o equilíbrio do AMOR. Não apenas o prazer sexual, que para mim é indispensável, mas o prazer de estar na companhia do outro. O prazer de compartilhar, de ter interesses comuns, de criar uma vida e de amar bonito. Poderíamos ter a ajuda de Príapo para fertilizar o prazer de amar.

Também postei em “Amor e Ódio. Promiscuidade Cerebral?

Amor e ódio compartilham mais do que rimas poéticas e finais desastrosos. Ambos ativam áreas do putâmen e ínsula (Semir Zeki and John Romaya of the Wellcome Laboratory of Neurobiology at the University College of London); o agravante – para mim – é o fato de que o amor romântico desativa uma grande área do córtex cerebral diminuindo sensivelmente a capacidade de julgamento.

Divagações, associações livres, penso que Jung poderia divertir-se ao ler este post… Conclusão? Nenhuma; só estou brincando de pensar “ que ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”, ou como os Antigos Deuses da Grécia.

Abraços de brisas perfumadas.

A-hammm…

Joyce Damy Mobley

CRT 42510

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3 Comentários leave one →
  1. 17/01/2011 10:17 pm

    Olá, gostei muito do seu texto, vou continuar a lê-la. Você deixou um comentário de que gostei imensamente num artigo meu sobre tarô. Fiquei querendo conhecer um pouco mais de sua(s) história(s) com o tarô e com os mitos. Desculpa só responder agora – só vi hoje – andei meio ocupado. Mas vamos manter essa troca. Um abraço Lucas.

  2. leticia permalink
    18/10/2010 10:52 pm

    😮

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