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Sêneca Ansiedade – Carta a Sêneca.

09/09/2011

 

Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.

 


Séneca via no cumprimento do dever um serviço à humanidade. Procurava aplicar a sua filosofia à prática. Deste modo, apesar de ser rico, vivia modestamente: bebia apenas água, comia pouco, dormia sobre um colchão duro. Séneca não viu nenhuma contradição entre a sua filosofia, estóica, e a sua riqueza material: dizia que o sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tivesse sido ganho de forma honesta. No entanto, devia ser capaz de abdicar dele. http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9neca

 

Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio

Não há mais miserável situação do que vir a esta vida sem saber qual o rumo a seguir nela. 
O espírito inquieto debate-se com o inelutável receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. 
Qual o modo de escapar a tal ansiedade? Há um apenas: que a nossa vida não se projete para o futuro, mas se concentre em si mesma. 
Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio. 
Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu espírito, em perfeito equilíbrio, souber que me é indiferente viver um dia ou viver um século, então poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! 
Que espécie de perturbação nos poderá causar a variedade e instabilidade da vida humana se nós estivermos firmes perante a instabilidade? 
Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa. Quem formou assim o seu caráter, quem quotidianamente viveu uma vida completa, pode gozar de segurança. ( Sêneca )

 

Querido Sêneca,

Adoro as suas frases de efeito!

“Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio”

Devo, entretanto, contestar, pois a ansiedade pode ser efeito do vazio e também do excesso. Algum dia você imaginou que suas cartas atravessariam o tempo, e que o tempo atingiria o inimaginável? Creio que sim – para a primeira parte de a minha questão -,ouso afirmar que você escrevia para o futuro, apesar de sua afirmação sobre o mesmo: “Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio.” Escrever para o futuro seria preocupar-se com o mesmo, ou simples Narcisismo?

Há algumas formas de se preocupar com o futuro e uma delas é querer estar lá presente deleitando-se com a possibilidade de ser imortal em sua sabedoria. É inegável o efeito que seus pensamentos têm, ainda hoje. Contudo, hoje é tão distante de ontem que mesmo trazendo o alento simplista de que basta ter um presente repleto ( imagino que de coisas boas, e sem o julgamento do que cada ser humano possa compreender, e eleger como “coisas boas”) para manter longe a ansiedade; talvez, a velocidade de informações seja um dos fatores que obrigaram determinados presentes e futuros a compartilhar o mesmo tempo e espaço. Poderíamos recorrer à Einstein, que você infelizmente não pode conhecer ( nem eu), para explicar-lhe o como isso é possível.

“Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu espírito, em perfeito equilíbrio, souber que me é indiferente viver um dia ou viver um século, então poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! “

Sim, meu caro Sêneca, ainda hoje há pessoas cuja grande ansiedade é saber-se mortal; por vezes fico pasma diante de tal realidade. Não obstante, ouso afirmar que a preocupação e ansiedade com o único fato imutável da vida, a morte, já não é a grande questão.

“Que espécie de perturbação nos poderá causar a variedade e instabilidade da vida humana se nós estivermos firmes perante a instabilidade?”.

Há uma “brincadeira” que define os economistas como: um ser que tem uma mão no freezer, outra no fogo, e afirma que a temperatura média é a ideal.

“Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa. Quem formou assim o seu caráter, quem quotidianamente viveu uma vida completa, pode gozar de segurança.”

Péssimo conselho, meu amigo, a pressa é um dos muitos fatores que geram ansiedade. Cada dia é mesmo uma vida completa e a vivemos no cotidiano (você está certíssimo; redundante, porém correto); todavia não nos garante que “gozar de segurança”.

Estaria você sendo sarcástico com tal afirmação: gozar de segurança?

Meu querido amigo, devo ainda acrescentar que não sou ansiosa: meu nível do hormônio cortisol é absolutamente normal. É a vida -que independe de mim- que é ansiosa; tão somente constato e por vezes reajo com a precisa ansiedade.

Nos dias de hoje é necessário manter em equilíbrio certa dose de tensão e ansiedade que nos deixa em estado de alerta, sem isso não sobreviveríamos: erramos pelo excesso e também pela falta de uma mesmíssima coisa.

Um abraço de brisas perfumadas,

Joyce Damy Mobley

PS: Muito do que você escreveu continua atualíssimo

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