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O que você quer ser quando crescer?

15/12/2013

Joyce Damy Mobley

Muitos estão despertos para o trabalho físico, mas só poucos estão despertos para o genuíno esforço intelectual, só um em cem milhões para uma vida poética ou divina.

Estar desperto é estar vivo.
Nunca encontrei homem algum que estivesse plenamente desperto.
Como poderia olhá-lo de frente? (Henry David Thoreau)
 
Não conheço a fórmula para estar plenamente desperta,e,não poucas vezes sinto-me como se estivesse acabando de acordar, outras, como se quisesse acordar, mas fosse novamente engolida por um estado de sonolência que apelidei de “não vida”. O estado em que nos arrastamos cumprindo aquilo que determinamos, ou determinaram em certos momentos de nossas vidas.
Há uma pergunta que quase toda criança se faz:o que eu quero ser quando crescer?
E, há uma pergunta rondando minha cabeça nos últimos tempos: quando é que paramos de perguntar o que queremos ser quando crescermos? E, isto tem me levado, novamente, a vários questionamentos…

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O que você quer ser quando crescer?

15/12/2013

Muitos estão despertos para o trabalho físico, mas só poucos estão despertos para o genuíno esforço intelectual, só um em cem milhões para uma vida poética ou divina.

Estar desperto é estar vivo.
Nunca encontrei homem algum que estivesse plenamente desperto.
Como poderia olhá-lo de frente? (Henry David Thoreau)
 
Não conheço a fórmula para estar plenamente desperta,e,não poucas vezes sinto-me como se estivesse acabando de acordar, outras, como se quisesse acordar, mas fosse novamente engolida por um estado de sonolência que apelidei de “não vida”. O estado em que nos arrastamos cumprindo aquilo que determinamos, ou determinaram em certos momentos de nossas vidas.
Há uma pergunta que quase toda criança se faz:o que eu quero ser quando crescer?
E, há uma pergunta rondando minha cabeça nos últimos tempos: quando é que paramos de perguntar o que queremos ser quando crescermos? E, isto tem me levado, novamente, a vários questionamentos e poucas respostas, muito embora eu haja aprendido que a sabedoria está em se responder, ao menos uma pergunta por dia,e não na quantidade de perguntas  que nos fazemos.
Retomando: o que eu gostaria de ser quando eu crescer? Como eu gostaria de ser quando eu crescer? Por mais que sinta, pense, medite,tenho caído em uma pergunta que é na verdade uma resposta: e, quem foi que disse que eu já cresci? Em algum momento muito pouco criativo devo haver me fechado, ao fechar a questão: cresci!
O meu self de hoje projeta aquela que quero e posso ser no futuro? Não? Então preciso começar a modificar  o presente para que este espelhe o meu próximo futuro, sim, próximo futuro, pois a cada passo, a cada decisão, a cada pequeno passo estamos criando aqueles que queremos ser quando crescermos.
Nada mais sufocante do que olhar para hoje e nos vermos na armadilha do futuro repetitivo, entediante, imutável em sua permanente armadilha mentirosa.
Há muita vida na vida, precisamos vivê-las.
O que você quer ser quando crescer?
A-Hammm,
Joyce Mobley

Das absurdas exigências do amor – A bonequinha de sal

14/12/2013

Este conto tem sido utilizado com fins religiosos, porém, se deitarmos um olhar mais atento podemos perceber que trata, de uma forma absurdamente lírica, das relações – aqui nesta Terra – e do quanto podemos ou devemos mergulhar no outro. 

Não há necessidade de dissolver-se para descobrir quem somos. Não é predicado do amor, muito pelo contrário, tamanha exigência, credulidade e anulação. 

“Era uma vez uma boneca de sal.

Embora fosse de sal, nunca tinha visto mar.

Por isso, um dia, deixou a sua terra

e pôs-se a caminho em direção ao mar.

Depois de percorrer muitos quilômetros,

chegou ao final da viagem.

Ficou fascinada por aquela imensidão de água

a perder-se no infinito.

Nunca tinha visto uma coisa assim tão grandiosa.

Mas seria isso o mar?

Por isso, perguntou:

– Quem és tu?

Com um sorriso o mar respondeu:

-Entra nas minhas águas e comprova-o tu mesma!”

E a boneca de sal meteu-se no mar.

Mas, à medida que avançava nas águas,

ia derretendo-se, até que nada ficou.

Mas, antes de se dissolver completamente,

exclamou maravilhada:

– Agora sei quem sou!”

A arte de amar não está em dissolver-se no outro, mas em somar e ainda assim ser única e fazer-se inteira. Não há amor que aguente “eternamente maravilhada”: “Com um sorriso (e ainda sorri!) o mar responde: -Entra nas minhas águas e comprova-o tu mesma!” Vai nessa, vai!

E como Fromm é muito melhor do que eu:

“Amar alguém não é apenas um sentimento forte, é uma decisão, é um juízo, é uma promessa. Se o amor fosse apenas um sentimento, não haveria base para a promessa de amar um ao outro para sempre. Um sentimento vem e pode ir. Como posso julgar se ele vai ficar para sempre, se meu ato não envolver juízo e decisão?”
Erich Fromm 
 
A-Hammm,
Joyce Mobley

Poema de Hilda Hilst

26/09/2011

Não me procures ali

onde os vivos visitam

os chamados mortos.

Procura-me dentro das grandes águas.

Nas praças,

num fogo coração,

nos arrozais, no arroio,

ou junto aos pássaros

ou espelhada num outro alguém,

subindo um duro caminho.

Pedra, semente, sal, passos da vida.

Procura-me ali.

Viva.

Sêneca Ansiedade – Carta a Sêneca.

09/09/2011

 

Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.

 


Séneca via no cumprimento do dever um serviço à humanidade. Procurava aplicar a sua filosofia à prática. Deste modo, apesar de ser rico, vivia modestamente: bebia apenas água, comia pouco, dormia sobre um colchão duro. Séneca não viu nenhuma contradição entre a sua filosofia, estóica, e a sua riqueza material: dizia que o sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tivesse sido ganho de forma honesta. No entanto, devia ser capaz de abdicar dele. http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9neca

 

Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio

Não há mais miserável situação do que vir a esta vida sem saber qual o rumo a seguir nela. 
O espírito inquieto debate-se com o inelutável receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. 
Qual o modo de escapar a tal ansiedade? Há um apenas: que a nossa vida não se projete para o futuro, mas se concentre em si mesma. 
Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio. 
Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu espírito, em perfeito equilíbrio, souber que me é indiferente viver um dia ou viver um século, então poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! 
Que espécie de perturbação nos poderá causar a variedade e instabilidade da vida humana se nós estivermos firmes perante a instabilidade? 
Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa. Quem formou assim o seu caráter, quem quotidianamente viveu uma vida completa, pode gozar de segurança. ( Sêneca )

 

Querido Sêneca,

Adoro as suas frases de efeito!

“Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio”

Devo, entretanto, contestar, pois a ansiedade pode ser efeito do vazio e também do excesso. Algum dia você imaginou que suas cartas atravessariam o tempo, e que o tempo atingiria o inimaginável? Creio que sim – para a primeira parte de a minha questão -,ouso afirmar que você escrevia para o futuro, apesar de sua afirmação sobre o mesmo: “Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio.” Escrever para o futuro seria preocupar-se com o mesmo, ou simples Narcisismo?

Há algumas formas de se preocupar com o futuro e uma delas é querer estar lá presente deleitando-se com a possibilidade de ser imortal em sua sabedoria. É inegável o efeito que seus pensamentos têm, ainda hoje. Contudo, hoje é tão distante de ontem que mesmo trazendo o alento simplista de que basta ter um presente repleto ( imagino que de coisas boas, e sem o julgamento do que cada ser humano possa compreender, e eleger como “coisas boas”) para manter longe a ansiedade; talvez, a velocidade de informações seja um dos fatores que obrigaram determinados presentes e futuros a compartilhar o mesmo tempo e espaço. Poderíamos recorrer à Einstein, que você infelizmente não pode conhecer ( nem eu), para explicar-lhe o como isso é possível.

“Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu espírito, em perfeito equilíbrio, souber que me é indiferente viver um dia ou viver um século, então poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! “

Sim, meu caro Sêneca, ainda hoje há pessoas cuja grande ansiedade é saber-se mortal; por vezes fico pasma diante de tal realidade. Não obstante, ouso afirmar que a preocupação e ansiedade com o único fato imutável da vida, a morte, já não é a grande questão.

“Que espécie de perturbação nos poderá causar a variedade e instabilidade da vida humana se nós estivermos firmes perante a instabilidade?”.

Há uma “brincadeira” que define os economistas como: um ser que tem uma mão no freezer, outra no fogo, e afirma que a temperatura média é a ideal.

“Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa. Quem formou assim o seu caráter, quem quotidianamente viveu uma vida completa, pode gozar de segurança.”

Péssimo conselho, meu amigo, a pressa é um dos muitos fatores que geram ansiedade. Cada dia é mesmo uma vida completa e a vivemos no cotidiano (você está certíssimo; redundante, porém correto); todavia não nos garante que “gozar de segurança”.

Estaria você sendo sarcástico com tal afirmação: gozar de segurança?

Meu querido amigo, devo ainda acrescentar que não sou ansiosa: meu nível do hormônio cortisol é absolutamente normal. É a vida -que independe de mim- que é ansiosa; tão somente constato e por vezes reajo com a precisa ansiedade.

Nos dias de hoje é necessário manter em equilíbrio certa dose de tensão e ansiedade que nos deixa em estado de alerta, sem isso não sobreviveríamos: erramos pelo excesso e também pela falta de uma mesmíssima coisa.

Um abraço de brisas perfumadas,

Joyce Damy Mobley

PS: Muito do que você escreveu continua atualíssimo

UMA HISTÓRIA DE CARÍCIAS – Roberto Shinyashiky

09/09/2011

Era uma vez, há muito tempo, um casal feliz, Antônio e Maria, com dois filhos chamados João e Lúcia.

Para entender a felicidade deles, é preciso retroceder àquele tempo. Cada pessoa, quando nascia, ganhava

um saquinho de carinhos. Sempre que uma pessoa punha a mão no saquinho podia tirar um Carinho Quente.

Os Carinhos Quentes faziam as pessoas sentirem-se quentes e aconchegantes, cheias de carinho.

As pessoas que não recebiam Carinhos Quentes expunham-se ao perigo de pegar uma doença nas costas que

as fazia murchar e morrer. Era fácil receber Carinhos Quentes. Sempre que alguém os queria, bastava pedi-los.

Colocando-se a mão no saquinho, surgia um carinho do tamanho da mão de uma criança. Ao vir à luz, o Carinho

expandia-se e transformava-se num grande Carinho Quente que podia ser colocado no ombro, na cabeça, no colo

da pessoa. Então, misturava-se com a pele e a pessoa se sentia bem.

As pessoas viviam pedindo Carinhos Quentes umas às outras e nunca havia problemas para consegui-los, pois eram

dados de graça. Por isso todos eram felizes e cheios de carinhos, na maior parte do tempo. Um dia, uma bruxa má

ficou brava porque as pessoas, sendo felizes, não compravam as poções e os ungüentos que ela vendia. Por ser muito

esperta, a bruxa inventou um plano muito malvado.

Certa manhã, ela chegou perto de Antônio, enquanto Maria brincava com a filha, e cochichou em seu ouvido:

“Olha, Antônio, veja os carinhos que Maria está dando à Lúcia. Se ela continuar assim, vai consumir todos os carinhos

e não sobrará nenhum para você”. Antônio ficou admirado e perguntou: “Quer dizer, então que não é sempre que existe

um Carinho Quente no saquinho?” E a bruxa respondeu: “Eles podem acabar e você não os ganhará mais”.

Dizendo isso a bruxa foi embora, montada na vassoura, gargalhando muito. Antônio ficou preocupado e começou a

reparar em cada vez que Maria dava um Carinho Quente para outra pessoa, pois temia perdê-los. Então começou a se

queixar a Maria, de quem gostava muito, e também parou de dar carinhos aos outros, reservando-os somente para ela.

As crianças perceberam e passaram a também economizar carinhos, pois entenderam que era errado dá-los.

Todos ficaram cada vez mais mesquinhos. As pessoas do lugar começaram a sentirem-se menos quentes e acarinhadas e

algumas chegaram a morrer por falta de Carinhos Quentes. Cada vez mais gente ia à bruxa para adquirir ungüentos e poções.

Mas a bruxa não queria realmente que as pessoas morressem, porque, se isso acontecesse, deixariam de comprar as poções e

os ungüentos. Então, inventou um novo plano: todos ganhavam um saquinho muito parecido com aquele de Carinhos, porém,

era frio e continha Espinhos Frios. Os Espinhos Frios faziam as pessoas sentirem-se frias e espetadas, mas evitavam que murchasses.

Daí para frente, sempre que alguém dizia “eu quero um Carinho Quente”, aqueles que tinham medo de perder um suprimento respondiam:

“Não posso lhe dar um Carinho Quente, mas, se você quiser, posso dar-lhe um Espinho Frio”.

A situação ficou muito complicada porque, desde a vinda da bruxa, havia cada vez menos Carinhos Quentes, e estes se tornaram valiosíssimos.

Isto fez com que as pessoas tentassem de tudo para consegui-los. Antes de a bruxa chegar, as pessoas costumavam se reunir em grupos de

três, quatro, cinco sem se preocupar com quem estava dando carinho para quem.

Depois que a bruxa apareceu, as pessoas começaram a juntar-se aos pares e a reservar todos os seus Carinhos Quentes exclusivamente para

o seu parceiro. Quando se esqueciam e davam um Carinho Quente para outra pessoa, logo se sentiam culpadas. As pessoas que não conseguiam

encontrar parceiros generosos precisavam trabalhar muito para obter dinheiro para comprá-los.

Algumas pessoas tornavam-se simpáticas e recebiam muitos Carinhos Quentes sem ter que retribuí-los. Então, passavam a vendê-los aos que

precisavam deles parar sobreviver. Outras pegavam os Espinhos Frios, que eram ilimitados e de graça, cobriam-nos com cobertura branquinha

e estufada, fazendo-os passar por Carinhos Quentes. Eram, na verdade, carinhos falsos, de plástico, que causavam novas dificuldades. Por exemplo,

duas pessoas se juntavam e trocavam livremente entre si os seus Carinhos Plásticos.

Sentiam-se bem em alguns momentos, mas logo depois se sentiam mal. Como pensavam que estavam trocando Carinhos Quentes, ficavam confusas

A situação, portanto, ficou muito grave.

Não faz muito tempo, uma mulher especial chegou ao lugar. Ela nunca tinha ouvido falar na bruxa e não se preocupava com o fim dos Carinhos Quentes.

Ela os dava de graça, mesmo quando não eram pedidos. As pessoas do lugar desaprovavam essa atitude porque essa mulher dava às crianças a idéia

de que não deviam se preocupar com o término dos Carinhos Quentes, e chamavam-na de Pessoa Especial.

As crianças gostavam muito da Pessoa em Especial, porque se sentiam bem em sua presença, e passaram a dar Carinhos Quentes

sempre que tinham vontade. Os adultos ficaram muito preocupados e decidiram impor uma lei para proteger as crianças do desperdício

de seus Carinhos Quentes. A lei dizia que era crime distribuir Carinhos Quentes sem uma licença. Muitas crianças, porém, continuavam

a trocar Carinhos Quentes sempre que tinham vontade ou quando alguém os pedia.

Como existiam muitas crianças, parecia que elas seguiriam seu caminho. Ainda não sabemos dizer o que acontecerá.

As forças da lei e da ordem dos adultos forçarão as crianças a parar com a sua imprudência?

Os adultos se juntarão à Pessoa especial e às crianças e entenderão que sempre haverá Carinhos Quentes, tantos quanto forem necessários?

Lembrar-se-ão do tempo em que os Carinhos Quentes eram inesgotáveis porque eram distribuídos livremente?

Em qual dos lados você está?

O que você pensa disto? (*)

da obra : A CARÍCIA ESSENCIAL de Roberto Shinyashiky

Abraços de brisas perfumadas de carinhos e carícias essenciais.

Joyce Damy Mobley

Joyce Damy Mobley – DIAPAZANDO

10/01/2011

Se, mesmo distante, me sentes…
Sabes que estou a construir estradas,
estrelas cadentes, diapasões e harmonias…
Neste momento não sou poesia; sentes?
Sou encontro e melodias,
Que escrevem canções partidas.
Busco vozes mudas, floridas
e desnudas: coral de vozes consonantes…
Sou começo, não sou fim.
Sou estranha melodia de beleza catanada.
Não sou silêncio: sou soneto em mim,
por vir da canção a ser entoada…
Se mesmo distante me sentes…
Sabes: percorro estrelas,
estradas cadentes,
dia-paz-ando harmonias, sentes?

Abraços de brisas perfumadas,
A-hammm…
Joyce Damy Mobley